Casal é preso em condomínio de luxo com quase 2 mil cartões de alimentação no ES
Investigação apontou que os suspeitos conseguiram os cartões por meio de um esquema de fraudes
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Um casal, investigado por operar um esquema milionário de fraude e lavagem de dinheiro utilizando cartões de alimentação, foi preso, na última quinta-feira (26), em um condomínio de luxo da Serra. Durante as buscas, que aconteceram nos bairros Féu Rosa e Carapebus, na mesmo município da prisão, e em Goiabeiras, Vitória, foram encontrados 1.892 cartões de funcionários de empresas diversas.
Segundo a Polícia Civil, o grupo simulava compras passando os cartões em máquinas de cartão registradas em CNPJs dos chamados "laranjas", ou seja, quando a empresa é registrada em nome de terceiros para ocultar o verdadeiro proprietário. Em seguida, os suspeitos pegavam de 20 a 40 por cento do valor, que deveria ser usado em supermercados e outros estabelecimentos, e adiantava o restante para os beneficiários dos cartões por meio de pix ou dinheiro em espécie.
Segundo o chefe da Diccor e titular da Draco, delegado Tarik Halabi Souki, as investigações tiveram início após a funcionária de uma empresa, que trabalhava no setor financeiro e era responsável por abastecer o cartão de alimentação de todo o quadro profissional, ser presa por desviar cerca de R$ 200 mil reais para o seu próprio vale, em um período de 16 meses.
"A funcionária trabalhava em uma empresa e tinha acesso às contas e transferiu muitos valores, aproximadamente R$ 200 mil, para alguns cartões que ela mesma utilizava e aí ela procurou o grupo, passou (os cartões), ficou com 150 mil reais essa funcionária que furtou o valor da empresa e esse grupo ficou com aproximadamente 50 mil reais desse furto", destacou Souki.
O delegado também destacou que, inicialmente, era investigado um sistema de agiotagem que evoluiu para um esquema de fraude e lavagem de dinheiro. Além disso, os suspeitos possuíam histórico de agiotagem com uso de ameaças e violência.
Durante os mandados de busca e apreensão também foram apreendidos quatro máquinas de cartão, quatro aparelhos celulares, uma vasta documentação contábil, que incluía cheques e notas promissõrias, e um carro de luxo do casal.
Além disso, as investigações apontaram que, além do casal, o grupo, que tinha um ponto comercial para realizar as transações fraudulentas em Goiabeiras, Vitória, era composto por mais dois funcionários, que, até o momento, não foram detidos.
Movimentação milionária
De acordo com o adjunto da Diccor, delegado Vinicius Landeira, o esquema chegava a movimentar cerca de R$ 1 milhão por mês. No momento da prisão, o suspeito afirmou que, somente nos cartões apreendidos, ele teria um lucro de aproximadamente R$ 300 mil.
"Segundo o próprio preso, ele disse para a gente que naqueles cartões ali, no momento que a gente estava fazendo a apreensão, que ali tinha um saldo de aproximadamente R$ 300 mil", pontuou o delegado.
Ainda conforme informado por Landeira, agora, a polícia irá investigar o conteúdo presente nos cadernos de contabilidade, apreendidos durante o cumprimento dos mandados e que devem apontar mais detalhes sobre a operação do grupo criminoso.
Crime
O delegado Tarik Halabi Souki explicou que beneficiários de cartões de alimentação que utilizam esses serviços e têm ciência que estam participando de um esquema de simulação de vendas, podem ser responsabilizados pelo crime de estelionato.
"Esse cartão ele é personalíssimo. E a simulação da compra, você tendo ciência do esquema, pode resvalar em você, pode sobrar alguma coisa, você pode participar de um estelionato", destacou Souki.
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