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PERNAMBUCO QUE ENCANTA

Ouro doce de Pombos: a realeza do abacaxi que conquista o mundo

Aline Moura | 28/04/2026, 19:01 h | Atualizado em 28/04/2026, 19:01
Pernambuco que encanta

Aline Moura

Carregando na bagagem experiências de sobra no Diario de Pernambuco e na Folha de Pernambuco, jornais em que atuou em todas as áreas, exceto esportes, Aline Moura integra o time do Tribuna Online PE. E com o seu olhar jornalístico, através da coluna “Pernambuco que encanta”, busca valorizar o que há de melhor nos municípios pernambucanos.

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          Imagem ilustrativa da imagem Ouro doce de Pombos: a realeza do abacaxi que conquista o mundo
A soberania de Pombos no campo é um fenômeno de resistência e doçura |  Foto: Divulgação

O horizonte de Pombos, a 57 quilômetros do Recife, não é feito apenas de curvas acidentadas e solo fértil. Ele é desenhado por milhares de coroas verdes que protegem o "ouro doce" da Zona da Mata: o abacaxi. Hoje, o município consolida-se como o maior produtor da fruta em Pernambuco, sustentando o título de Capital do Abacaxi com uma força de trabalho que brota de mãos calejadas e corações resilientes.

São cerca de 200 agricultores familiares que, entre o sol e o barro, garantem que mais de 30% da safra estadual — cerca de 20 milhões de frutos anuais — saiam dali para abastecer mesas e mercados, tendo o Ceasa-PE como o principal corredor desse escoamento vibrante.

A soberania de Pombos no campo é um fenômeno de resistência e doçura, o que ressalta a abordagem da coluna Pernambuco que encanta. Lá, predomina a variedade Pérola. Quem caminha pelas plantações sente o aroma acentuado antes mesmo de tocar a polpa amarelada e macia, famosa pela baixa acidez e suculência que parece aprisionar o sol do Agreste dentro da casca. Mas a economia local já não se limita ao fruto in natura. O aroma que sai das cozinhas das associações revela uma nova fase: a da transformação.

“Essa é uma forma de diversificar e, principalmente, agregar valor à produção. Tudo isso no contexto de promover o desenvolvimento local, integrado e sustentável, considerando que a atividade é realizada por agricultores do lugar, a renda gerada permanece no território e explora uma atividade que tem um fator identitário com a própria região”, diz Alexandre Alves, gerente do Sebrae/PE para a Zona da Mata.

Do colapso da mandioca ao reinado da coroa verde


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A variedade Pérola predomina na cidade: o ouro doce |  Foto: Divulgação

Para entender a Pombos de hoje, é preciso olhar para as cicatrizes dos anos 1970. Naquela época, a cidade vivia sob a égide da mandioca. No entanto, uma seca impiedosa, aliada a pragas que dizimaram as raízes, forçou o agricultor a olhar para o lado. Foi nos anos 1980 que o abacaxi surgiu como a promessa de um amanhã menos dependente das chuvas constantes e mais adaptado à topografia acidentada da região.

O solo respondeu com generosidade. O que começou como uma alternativa de subsistência tornou-se um fator identitário. Hoje, o abacaxi não é apenas um produto; é o sobrenome de Pombos. O apoio do Sebrae/PE entrou como a ferramenta necessária para que essa vocação não ficasse estagnada no tempo.

“Recentemente, começamos a desenvolver ações mais específicas e estruturadoras para consolidar essa cultura e reposicioná-la no mercado”, afirma Alexandre Alves. O foco mudou: da sobrevivência para a estratégia.

O trabalho envolveu desde o fortalecimento do associativismo até a criação de uma cooperativa e de uma central de negócios que une produtores de diversas frentes, criando um ecossistema de cooperação que é a base do desenvolvimento territorial.

Rastreabilidade: o DNA do fruto ao alcance de um toque

Uma das maiores inovações implementadas em Pombos é a rastreabilidade — uma medida inédita no estado. Pode parecer técnico, mas, na prática, é o "bilhete de identidade" do alimento. De forma didática, rastrear o abacaxi significa criar um mapa digital da vida do fruto. Desde o momento em que a muda é plantada até o instante em que o consumidor o coloca no carrinho, cada etapa é registrada.

Ao ler um código ou selo, o comprador pode saber quais insumos foram utilizados, em que data foi colhido e como foi transportado. Isso garante segurança alimentar, pois permite identificar qualquer problema na cadeia de forma imediata. Para o produtor de Pombos, a rastreabilidade é a prova de honestidade e qualidade que abre as portas de grandes redes de supermercados e mercados gourmet, onde a origem do alimento é o maior valor agregado.

“Reunimos produtores e trabalhamos a estruturação social para valorizar a formação, a compreensão e a organização do ponto de vista da cultura de cooperação. Hoje, eles têm uma cooperativa instituída, uma associação e o suporte do sindicato dos trabalhadores da categoria. Também foi montada uma central de negócios que reúne todos os produtores organizados, não só os que trabalham com o abacaxi”, detalha Alves.

O passaporte para o mundo: Certificação Global e IGs

O sonho dos agricultores de Pombos agora atravessa oceanos. O município está na trilha da certificação GlobalG.A.P., um padrão internacional de Boas Práticas Agrícolas que funciona como um passaporte para o comércio mundial. O cumprimento das etapas do chamado "Caderno de Campo" assegura que a produção respeita o meio ambiente, a saúde dos trabalhadores e a segurança do consumidor final.

“Com a comercialização para outros mercados, surge a questão da certificação. No GlobalG.A.P., chegamos até a etapa do Caderno de Campo”, aponta o gerente do Sebrae/PE. Esse selo atesta que o abacaxi de Pombos atinge níveis globais de excelência, transformando a pequena cidade pernambucana em um player competitivo no agronegócio internacional.

Além disso, o abacaxi de Pombos está no radar das Indicações Geográficas (IGs) em Pernambuco. O reconhecimento pelo Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) é o que confere ao produto uma proteção jurídica e uma reputação baseada na sua origem. É a confirmação oficial de que nenhum outro lugar do mundo produz um abacaxi exatamente como o de Pombos.

16 produtos do estado buscam o selo IG

Este esforço coletivo é um dos destaques da série audiovisual "Riquezas de Pernambuco", uma parceria entre Sebrae/PE e Adepe. O objetivo é mostrar que, por trás de cada tonelada de fruta, há uma história de superação familiar. Atualmente, 16 produtos no estado buscam o selo de IG, e o abacaxi de Pombos já é uma estrela dessa constelação produtiva.

Ao visitar Pombos, o viajante não encontra apenas números ou estatísticas do IBGE. Encontra o doce cheiro da geleia sendo preparada no tacho, o brilho dos licores artesanais e a certeza de que, naquela terra de relevo acidentado e sol forte, o desenvolvimento tem sabor de fruta colhida na hora. É o jornalismo da terra, feito por gente que entende que a maior riqueza de Pernambuco é, e sempre será, a sua capacidade de se reinventar a partir das suas próprias raízes.

Veja a cidade do alto de Sérgio Falcetti

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A coluna Pernambuco que encanta, do Tribuna Online PE, revela histórias inspiradoras dos municípios pernambucanos e seus moradores. Com olhar sensível, informativo e analítico, valoriza as riquezas humanas, econômicas e culturais do estado, mostrando quem transforma comunidades com criatividade, coragem e afeto.