Trump quer impor taxa ao Brasil por “trabalho forçado”
Argumento do presidente dos EUA é que o País teria falhado em fiscalizar produtos com origem desse tipo de trabalho
O governo norte-americano anunciou que pretende instituir uma nova sobretaxa ao Brasil utilizando como argumento uma suposta falha do País em fiscalizar produtos com origem de “trabalho forçado”.
A sobretaxa foi anunciada a diversos países e varia de 10% a 12,5%, com o Brasil ficando entre os com a maior porcentagem.
Caso a sobretaxa e a tarifa de 25% por supostas práticas desleais do País – incluindo a criação do Pix e a pirataria – se torne realidade, parte dos produtores brasileiros terá de lidar com uma sobretaxa total de 37,5%.
O governo de Donald Trump investigaram se 60 países conseguiram impor ou aplicar de forma eficaz a proibição de importar bens produzidos com trabalho forçado. O USTR considerou que todos, que representam 99,4% do comércio externo americano, falharam em atingir os padrões necessários.
Nesse trabalho, foi considerado, por exemplo, se o Brasil compra alumínio bruto de regiões chinesas acusadas de trabalho forçado e depois exporta autopeças ou aviões para os EUA. Daí o critério de contaminação da cadeia é acionado.
Na investigação contra o Brasil, o USTR poupou produtos considerados estratégicos para a economia dos Estados Unidos ou que poderiam provocar aumento de preços e problemas de abastecimento caso fossem sobretaxados.
Os itens também aparecem como exceções na investigação contra trabalho forçado. Dentre eles estão o café, o mamão e o mamão.
Apesar da carne bovina brasileira estar na lista dos produtos isentos, o relatório norte-americano aponta problemas na cadeia de pecuária brasileira, citando pesquisas independentes e a TVPRA List, lista do governo americano que identifica produtos associados ao trabalho infantil ou forçado.
“A lista TVPRA afirma que há razões para acreditar que existe trabalho forçado na produção de gado no Brasil. Pesquisas independentes sugerem que pecuaristas brasileiros constam na chamada 'lista suja'", diz o relatório.
Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Faes), Júlio Rocha, essa medida é “invenção de moda”.
“Não existe trabalho escravo. Quando há algo assemelhado, pontual, eles querem universalizar. A gente percebe que o Trump está perdido. Você não pode escrever o que ele fala”, afirma.
Rocha acredita, porém, que é preciso reforçar o diálogo com os EUA para reverter o cenário. “A diplomacia, tanto deles como nossa, vai ter que reconhecer onde tem que ceder. Os executivos vão ter que chegar a um denominador comum”, opina.
Exportações de carne bovina para a China devem crescer
Em meio à pressão dos Estados Unidos contra o mercado brasileiro, a China vem adotando políticas de aproximação com o País.
Na última terça-feira, o governo de Xi Jinping reconheceu o Brasil “livre de febre afitosa”, o que promete aumentar as exportações de carne bovina para o mercado chinês e para toda a Ásia — um movimento que deve representar mais de R$ 760 milhões em produtos enviados para a região.
O anúncio foi feita durante visita do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, ao país e ocorre após mais de 20 anos de negociações. Segundo a Agência Brasil, as exportações do agronegócio brasileiro com destino à China ultrapassaram 50 bilhões de dólares em 2025 — equivalente a R$ 253 bilhões.
Segundo o presidente da Câmara de Comércio Brasil-China no Espírito Santo, Carlos Eiras, o mercado capixaba ainda não é um exportador relevante de carne bovina para a China, mas a medida deve trazer benefícios gerais.
“Isso envolve despachante, envolve traders, envolve frete, contador. Então beneficia a uma cadeia de funcionários. Eles são grandes consumidores de proteína do Brasil”, comenta o representante.
Sobretaxa é fruto de investigação
Nova sobretaxa
Os Estados Unidos anunciou que quer aplicar uma nova tarifa ao Brasil de 12,5%, como fruto de uma investigação comercial aberta sobre trabalho escravo no mundo.
A medida também atinge a União Europeia e outros 58 países. A alegação é de "falha em impor e aplicar efetivamente uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado”.
Para o governo do país norte-americano, a prática “onera ou restringe” o comércio americano, fazendo alusão principalmente às mercadorias asiáticas, que assumem participação crescente no mercado global.
Caso efetivada, a cobrança, de 12,5% no caso do Brasil, se somaria aos 25% anunciados um dia antes, após a conclusão de uma investigação sobre “práticas incoerentes” do País com os EUA — a Seção 301.
Análise local
Uma audiência pública para discutir a proposta de tarifa adicional será realizada no dia 7 de julho, em Washington, um dia após a audiência sobre a investigação específica do País.
Setores impactados
A nova sobretaxa, se confirmada, deve afetar todos os produtos exportados — conforme o anúncio feito pelos EUA.
Em relação à taxa de 25,%, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, já havia listado o impacto financeiro e os setores produtivos que devem ser prejudicados.
Segundo ele, Os setores mais atingidos seriam os de máquinas, equipamentos, produtos de plástico, calçados, produtos de madeira, papel cartão, ferro fundido, peixes e crustáceos.
O PIX foi o principal argumento utilizado para a aplicação da tarifa adicional de 25% na terça-feira. Documento que embasou a medida citou 20 vezes o método de pagamento.
A justificativa é de que o método de pagamento gera prejuízos a empresas do país norte-americanos que operam no mercado bancário brasileiro — como Visa e MasterCard. O lucro delas vem de taxas cobradas por transação.
Fonte: Site Terra e pesquisa AT.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários