Saída do Emirados Árabes da Opep: qual será o impacto para o mundo?
Emirados Árabes vão sair da Opep, o que deve ampliar oferta e pode encarecer combustíveis no Brasil no curto prazo
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Oitavo maior produtor de petróleo do mundo e um dos principais países membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), os Emirados Árabes Unidos decidiram deixar a entidade a partir de sexta-feira — movimento que deve mexer com os preços no mercado do petróleo e do gás no Brasil.
A previsão é que, com a saída, o país do Oriente Médio não mais estabeleça um “freio” na produção — medida imposta pela Opep — e passe a comercializar uma quantidade muito maior de barris de petróleo: saindo de 3,7 milhões para 5 milhões de barris de petróleo bruto por dia até o fim de 2027.
Em comunicado, a agência estatal WAM informou que a decisão está alinhada com “a visão estratégica e econômica de longo prazo dos Emirados Árabes Unidos e com o desenvolvimento de seu setor energético, incluindo a aceleração do investimento na produção doméstica de energia”.
Analistas internacionais pontuam que, embora a saída ocorra em um período de guerra — e com uma certa influência dela —, a insatisfação do país com a permanência na Opep é antiga.
“Os Emirados Árabes Unidos já estavam insatisfeitos com as cotas de produção da Opep e vinham 'cantando essa bola'. E agora, com a guerra e a divergência que eles tinham com relação à Arábia Saudita em relação à gestão do conflito do Irã só acelerou o processo”, explica o professor especialista em Relações Internacionais Daniel Carvalho.
Para ele, é possível que o mercado brasileiro sofra inicialmente, no curto prazo, com uma elevação nos preços dos combustíveis para o consumidor interno, devido ao estabelecimento de um clima de incerteza sobre o comportamento dos produtores de petróleo.
No longo prazo, no entanto, a queda nos preços é praticamente inevitável, considerando o aumento expressivo na oferta de petróleo.
“Tudo vai depender muito do comportamento dos Emirados Árabes Unidos agora. Ou seja, se eles vão realmente aumentar a oferta e quanto que eles vão aumentar”, comenta Carvalho.
A Opep, composta por 12 países, responde coletivamente por 36% da produção mundial de petróleo e controla quase 80% das reservas comprovadas totais do mundo.
Energia deve disparar de preço
A guerra no Oriente Médio deve elevar os preços de energia em 24% este ano, atingindo o nível mais alto desde a invasão da Ucrânia em 2022, segundo o Banco Mundial.
O impacto nos mercados globais de commodities pode aumentar a inflação e desacelerar o crescimento econômico. Além disso, fertilizantes e metais também sofrerão aumentos significativos, agravando a insegurança alimentar e afetando economias em desenvolvimento.
O Banco Mundial projeta que o Brent, referência internacional, deve ter preço médio de US$ 86 por barril em 2026, um aumento acentuado em relação aos US$ 69 por barril em 2025.
Os efeitos na economia
Nova alta na semana
Além do fechamento do Estreito de Ormuz, a saída dos Emirados Árabes Unidos da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) é mais um fator a pressionar os preços da commodity.
Historicamente, os países da Opep controlam a produção de petróleo no mundo para influenciar os preços.
Durante o dia de ontem, o preço do barril do tipo Brent — petróleo cru extraído principalmente no nordeste do Oceano Atlântico — chegou a US$ 111 (R$ 554,48), o maior valor das últimas semanas.
A avaliação é que o clima de incerteza tenha influência nos preços.
Aliados americanos
Aliado dos Estados Unidos, os Emirados Árabes faziam parte da Opep desde 1969 e vinham sendo uma voz dissonante, principalmente em relação à resposta dos países do bloco aos ataques iranianos no início da guerra.
O país, que há anos são um centro financeiro para empresas de Teerã, ameaçam congelar bilhões de dólares em ativos de propriedade iraniana, ao mesmo tempo em que debatem se devem engajar suas Forças Armadas para o conflito.
Cessar-fogo
Na última terça-feira (28), a presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, Annalena Baerbock, fez um apelo para um cessar-fogo definitivo e pela reabertura do Estreito de Ormuz, até para baixar a pressão sobre os preços dos combustíveis e dos alimentos.
Divergências no conflito
Para analistas internacionais, a decisão dos Emirados Árabes representa uma “vitória” para o presidente Donald Trump, que acusava a Opep de explorar o restante do mundo.
O porta-voz do exército da República Islâmica, Mohammad Akraminia, disse que o país não considera a guerra encerrada e que o Irã permanece em estado de alerta.
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