Veja os títulos de Oscar Schmidt, ídolo do basquete brasileiro
Ex-jogador passou mal e morreu na tarde desta sexta-feira (17), aos 68 anos
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Oscar Schmidt, considerado um dos maiores nomes da história do basquete brasileiro, morreu nesta sexta-feira (17) aos 68 anos.
Na manhã desta sexta, ele passou mal e foi levado ao Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana (HMSA), em Santana de Parnaíba, próximo de Alphaville, onde ele morava com a família.
A precisão nos arremessos, que lhe rendeu o apelido de "Mão santa", não foi a única marca registrada de um atleta que ficou conhecido pelo amor e dedicação ao esporte.
Ele, inclusive, rebatia a alcunha e fazia questão de afastar a força divina dos 'milagres' que fazia em quadra: "Não existe mão santa, existe mão treinada", costumava dizer.
Por treino ou vontade celestial, a verdade é que Oscar se tornou eterno e, não à toa, integra o Hall da Fama do Basquete -Naismith Memorial- da Federação Internacional de Basquete e do Comitê Olímpico do Brasil. Ele também foi selecionado para a lista de 100 maiores de todos os tempos.
Graças a ele, nas quadras brasileiras, a camisa 14 -número usado em homenagem ao dia em que pediu Cris, sua esposa, em namoro- ganhou significado e passou a ser sinônimo de craque.
RECORDE
Oscar disputou cinco edições consecutivas dos Jogos Olímpicos -Moscou-1980, Los Angeles-1984, Seul-1988, Barcelona-1992 e Atlanta-1996-, e fez 1.093 pontos, marca até hoje não alcançada por qualquer outro atleta da modalidade.
Ele também é o maior cestinha da seleção brasileira, com 7.693 pontos.
O TÍTULO E O CHORO
Um dos títulos de maior destaque do esporte brasileiro, sem dúvida, é o do basquete nos Jogos Pan-Americanos de 1987, em Indianápolis, nos Estados Unidos.
A seleção comandada por Ary Vidal tinha Oscar como um dos líderes, e contava com nomes como Marcel, Israel, Gerson e Pipoka.
O time verde e amarelo bateu os donos da casa, considerados os soberanos da modalidade, na final por 120 a 115, com nada menos que 46 pontos do "Mão Santa".
Ao fim do jogo, com a medalha de ouro assegurada, o ala-pivô se deitou na quadra e, com as mãos, tapou as lágrimas que rolavam pelo rosto. A cena se tornou notável e é constantemente usada para representar momentos do esporte do país.
'NÃO' À NBA PELO BRASIL
Um capítulo importante protagonizado por Oscar foi a recusa à NBA, liga de basquete dos Estados Unidos, para continuar defendendo a seleção brasileira.
Após os Jogos de Los Angeles-1984, ele foi draftado pelo New Jersey Nets -hoje Brooklyn Nets-, como a 131ª escolha, o que não lhe daria contrato garantido.
Depois dos Jogos Pan-Americanos de 1987, em Indianápolis, quando o Brasil bateu os Estados Unidos na final, surgiu uma nova chance. Havia um movimento na imprensa esportiva norte-americana com a ideia de que ele pudesse defender o recém-criado Miami Heat.
À época, porém, uma regra da federação internacional de Basquete (FIBA) impedia atletas que atuassem na liga norte-americana de defender as seleções dos países, motivos que teve grande peso na decisão do "Mão Santa".
"Foi uma decisão que eu nunca mudaria. Foi a decisão mais fácil que já tomei na minha vida. Jogar pela seleção é a coisa mais nobre que existe, é diferente. É representar um país inteiro, e isso é muito melhor do que jogar na NBA", disse Oscar, à EFE, em 2019.
"Na NBA, você volta rico, mas na seleção você será famoso, e as pessoas tiram o chapéu para você. Isso não tem preço. Eu jogava de graça. Eu terminava a temporada inteira na Itália e vinha para seleção para jogar de graça", ressaltou.
"Tive propostas, mas preferi não jogar na NBA. O fato de jogar na NBA não significa que o jogador que está lá seja um fenômeno, porque há jogadores péssimos na NBA. É uma pena, porque o que mais motiva é a NBA e, na minha época, tive que escolher", completou.
Em 2017, Oscar pisou em quadra em um jogo da NBA. Ele recebeu uma homenagem do Brooklyn Nets e participou do jogo das celebridades no All-Star Game, em Nova Orleans.
CÂNCER NO CÉREBRO
Oscar foi diagnosticado com câncer no cérebro em 2011 e, em 2022, anunciou ter vencido a "batalha" contra a doença. "Ter curado o câncer para mim foi um negócio de outro planeta", afirmou em entrevista ao Alt Tabet, no Canal UOL, em 2024.
O ex-jogador de basquete contou como uma entrevista ao jornalista Roberto Cabrini o ajudou, após ser "morto" pela imprensa devido ao câncer.
"Ele chegou lá em casa para fazer a matéria da vida dele, eu falei: 'Cabrini, olha para mim, veja se eu estou doente. Não estou doente'. Ele falou: 'É, você não está doente'. Ele ficou o dia todo lá em casa e me salvou".
O "Mão Santa" também lembrou um episódio com o Papa Francisco, durante a Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, em 2013.
O papa me ajudou bastante. Ele veio ao Brasil, o governo do Rio me colocou dentro do Palácio com outras famílias [para conhecê-lo]. Ele botou a mão na minha cabeça e falou 'considere-se abençoado'. Tenho minhas crenças e o papa estava ali, eu olhando no olho dele, foi um dos melhores momentos que tive na vida.
Oscar
PASSAGEM PELA ITÁLIA E RECORDE NO BRASIL
Oscar nasceu no dia 16 de fevereiro de 1958, na cidade de Natal, Rio Grande do Norte. Na infância, a predileção era pelo futebol. O interesse pelo basquete surgiu após a mudança para Brasília, por influência de Zezão -seu técnico no Salesiano, que o incentivou, aos 13 anos de idade a procurar o Clube Unidade da Vizinhança, que era treinado por Laurindo Miura.
Em 1974, aos 16 anos, Oscar mudou-se para São Paulo para iniciar sua carreira no infanto-juvenil do Palmeiras. Com boas atuações, foi convocado para a seleção juvenil de basquete; em 1977, foi eleito melhor pivô do sul-americano juvenil e, com isso, garantiu vaga na seleção principal. No ano seguinte, foi campeão sul-americano e ganhou uma medalha de bronze no Campeonato Mundial das Filipinas.
O técnico Cláudio Mortari levou o jovem para o Sírio, onde conquistou, em 1979, a Copa William Jones, o Mundial Interclubes de basquete. Em 1980, disputou a primeira Olimpíada, em Moscou.
Em 1982, Oscar chegou à Itália, onde jogou por 11 temporadas, com passagem por dois clubes: foram oito pelo Juvecaserta e três pelo Pavia. Durante este período, foram 13.957 pontos, que fizeram com que ele se tornasse o primeiro jogador a ultrapassar a marca de 10 mil pontos no Campeonato Italiano.
O ala-pivô se transferiu para o Fórum, de Valladolid, na Espanha, em 1993, onde ficou até 1995 antes de retornar ao Brasil.
Oscar conquistou o oitavo brasileiro da carreira pelo Corinthians, em 1996. Ainda defendeu o Banco Bandeirantes, entre 1997 e 1998, Mackenzie, entre 1998 e 1999, e Flamengo, entre 1999 e 2003.
Foi vestindo Rubro-Negro que se tornou na ocasião o maior cestinha da história do basquete, com 49.737 pontos, posto que pertencia a Kareem Abdul-Jabbar, com 46.725 pontos. Em 2024, LeBron James superou a marca.
O brasileiro se aposentou das quadras em 2003.
TÍTULOS
Seleção brasileira
- 3 Sul-americano
- 2 Copa América
- 1 Pan-americano
- 2 Vice Sul-americano
Palmeiras
- 1 Brasileiro
- 2 Paulistano
- 2 Vice Paulista
- 1 Vice Paulistano
- 1 Vice Sul-americano
- 1 Vice das Filipinas
Sírio
- 1 Paulista
- 1 Brasileiro
- 1 Sul-americano
- 1 Mundial
- 1 Vice Paulista
- 1 Vice Brasileiro
- 1 Vice Sul-americano
- 1 Vice Mundial
Corinthians
- 1 Brasileiro
- 2 Vice Sul-americano
Barueri
- 1 Paulista
Itália
- 2 Promoções
- 1 Copa Itália
- 1 Vice Copa Korac
- 1 Vice Copa Coppe
- 2 Vice Copa Itália
- 2 Vice Italiano
Seleção paulista
- 2 Brasileiro
Flamengo
- 2 Carioca
- 1 Vice Carioca
- 1 Vice Brasileira
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