Surfista paraplégico supera passado no crime e busca destaque no parasurfe
Atleta se prepara para o Campeonato Brasileiro e promove rifa para custear participação na competição
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Há histórias que unem superação, transformação e esporte. Uma delas é a do mineiro Muriel Franklin de Souza, de 36 anos, atleta paraplégico que encontrou no mar um novo estilo de vida.
A relação de Muriel com o surfe começou ainda na infância, aos 10 anos. Ele conta que cresceu participando de campeonatos e viajando com amigos. No entanto, após um desvio de trajetória, o esporte ficou em segundo plano, e o envolvimento com as drogas passou a ocupar espaço em sua vida.
Segundo o surfista, foram cerca de 20 anos marcados por idas e vindas no mundo do crime, período de depressão, escolhas impulsivas e sofrimento, tanto pessoal quanto familiar. “Foi um momento que eu achei que não iria passar. Achei que aquilo era o meu fim”, relata.
Mesmo assim, o esporte nunca deixou completamente a rotina. “Eu corria corrida de rua, andava de skate, jogava bola e, sempre que podia, surfava. O esporte sempre foi a base que me mantinha de pé, mesmo nos momentos mais difíceis”, afirma.
O acidente
Em 2013, um acidente de moto mudou completamente sua vida e o deixou paraplégico. Após três meses em coma e com apenas 1% de chance de sobrevivência, Muriel se recuperou e, quatro anos depois, teve seu primeiro contato com o parasurfe, que não durou muito tempo.
Ele voltou a se envolver com o crime, acabou preso novamente em 2019 e, três anos depois, ao sair da prisão, decidiu dar um novo rumo à própria história. O surf adaptado trouxe de volta a mesma sensação que Muriel sentia quando tinha apenas 10 anos: a de liberdade. “Deus colocou o surfe como ferramenta para me tirar das drogas”, conta.
Hoje, o surfista se prepara para o Campeonato Brasileiro de Parasurf, que vai acontecer em maio, em Porto de Galinhas, Pernambuco. O treinador Raphael Matos conta que o atleta é muito dedicado, não só dentro d’água, mas também nos treinamentos em solo.
Apesar das dificuldades, eles seguem firmes no propósito. “Tudo para nós é mais desafiador. O acesso à praia, por exemplo, é complicado, já que não há rampas ou plataformas na praia onde treinamos (Jacaraípe). Isso dificulta muito, exige mais atenção e cuidados e faz com que a gente sempre precise de mais pessoas para treinar”, relata o treinador.
Rifa
Para custear a participação no campeonato, Muriel lançou uma rifa como forma de arrecadação. Cada bilhete custa R$ 25, e os prêmios incluem uma prancha de surfe para o primeiro sorteado e uma camisa oficial para o segundo. Os interessados em contribuir podem adquirir os números por meio da rede social do atleta @murifranklin02. A iniciativa tem como objetivo cobrir custos como inscrição, transporte e hospedagem durante a competição.
A participação de atletas como Muriel em competições desse porte é fundamental para fortalecer e dar visibilidade ao parasurfe capixaba, além de destacar a importância do apoio a esportistas paralímpicos no Espírito Santo.
A história do jovem não é apenas sobre surfe. É sobre cair, se perder, enfrentar limites e, ainda assim, encontrar um caminho de volta.
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