'A Hipótese do Amor' leva às telas história que foi de fanfic a fenômeno editorial
Adaptação do fenômeno editorial que conquistou milhões de fãs estreia no streaming com elenco que inclui marido de Daisy Ridley.
Duas pessoas fingem estar em um relacionamento porque isso, por qualquer motivo que seja, os ajudará a atingir algum objetivo. O clichê do "namoro de mentirinha" das comédias românticas não é nenhuma novidade, mas com o livro A Hipótese do Amor, a escritora Ali Hazelwood conquistou algo fora da curva: um fenômeno editorial que ganhou milhões de fãs ao redor do mundo.
Agora, o Prime Video espera replicar esse sucesso com a adaptação em filme do romance, que chega ao streaming nesta quarta-feira, 23 de setembro. Os primeiros sinais positivos vieram antes mesmo do lançamento: no início do mês, uma exibição antecipada no MIS Experience, em São Paulo, contou com centenas de fãs apaixonados e ansiosos para ver de perto Lili Reinhart e Tom Bateman, protagonistas do longa.
"Você com certeza vê o clichê do namoro de mentira em outras comédias românticas, mas como este surge do amor que ela sente pela melhor amiga, acho que é o que torna a história realmente especial", argumenta Lili, atriz americana de 30 anos que vive Olive, uma doutoranda em Biologia na universidade de Stanford que divide as belezas e mazelas da vida acadêmica sua melhor amiga, Anh (Rachel Marsh).
Na trama, Anh se apaixona por Jeremy (Nicholas Duvernay), mas escolhe não se envolver com o colega porque acredita que Olive também tem sentimentos por ele. Olive então decide que deve provar para a amiga que já está em outra. A solução é, claro, fingir que está namorando alguém. Depois de um encontro inesperado no laboratório, quem se voluntaria para a tarefa é Adam Carlsen, o pesquisador e orientador da universidade cuja fama é tão ruim que os alunos o apelidaram de "Dr. Hostil".
A ambientação acadêmica não é à toa, já que Ali Hazelwood, italiana radicada nos Estados Unidos, é professora de neurociência. Mas a jornada da criação até a adaptação da história parece ter sido escrita nas estrelas: tudo começou quando, em meio à rotina caótica de pesquisa, a autora decidiu unir sua paixão por Star Wars com a vontade de escrever e criou uma fanfic em que Kylo Ren e Rey, personagens da terceira trilogia da saga, são pesquisadores universitários que se apaixonam.
Depois da história fazer sucesso no Archive of Our Own (AO3), popular site de fanfics, ela reescreveu a trama de maneira original - Kylo virou Adam, Rey virou Olive. Com uma boa ajuda do BookTok, o nicho literário do TikTok que hoje tem poder de impulsionar grandes sucessos, A Hipótese do Amor virou um best-seller. Só no Brasil, já são mais 630 mil exemplares vendidos desde 2021, segundo dados da editora Arqueiro.
Daí veio o anúncio da adaptação e do elenco, com uma coincidência que fãs do romance jamais deixariam passar batida. Kylo Ren e Rey foram interpretados nos cinemas por Adam Driver e Daisy Ridley. Escalado para viver Adam (Carlsen, o personagem!), Tom Bateman, ator britânico de 37 anos que é nada menos que marido de Daisy Ridley.
O assunto viralizou, mas os produtores e atores garantiram que nada foi feito de caso pensado. Bateman só ficou sabendo da história toda quando o papel lhe foi oferecido e a diretora Claire Scanlon explicou a origem do livro.
'A Hipótese do Amor' leva personagens do constrangimento ao conforto
Os primeiros trinta minutos de A Hipótese do Amor são recheados de momentos constrangedores entre Adam e Olive, dois cientistas pragmáticos sem a menor noção de como se portar um ao lado do outro. "Eu não acho que o constrangimento pode ser roteirizado. Acho que tem que vir de uma escolha dos dois atores", diz Lili, que conta que muitas destas cenas nasceram a partir de improvisos dela e Bateman, com certa liberdade dada pela diretora.
"Também é uma prova de quão bem desenhados são os personagens e as situações, porque só com os personagens no lugar certo e a situação clara é que você pode brincar nesse espaço e descobrir" completa Bateman, citando como inspiração a comédia física de atrizes como Goldie Hawn e Sandra Bullock.
Como exemplo, o ator lembra uma cena do filme em que Adam vai se despedir de Olive e acaba dando um beijo na testa da "namorada". "O que você faz se vai dar um beijo de despedida nela e pensa: 'Meu Deus, eu me comprometi com o movimento, tenho que fazer alguma coisa, por que estou beijando a cabeça dela?'. Você só pode fazer isso se tiver esses parâmetros em jogo."
Ao longo da trama, conforme Adam e Olive se aproximam, essas barreiras físicas e emocionais passam ser desconstruídas. Para Bateman, o grande desafio foi dar camadas a um personagem que parece, a princípio, ser sempre estoico e alheio às aflições de seus alunos, mas que guarda suas próprias inseguranças.
"Acho que uma das coisas mais assustadoras e difíceis de fazer para qualquer um de nós é ser nós mesmos. Todos nós aprendemos a usar uma máscara e colocar uma armadura para sobreviver neste mundo louco, mas é a coisa mais gratificante de todas é quando você tem a coragem de tirá-la', reflete o ator.
"É o presente mais bonito vindo de alguém te dar esse espaço e lugar para estar completamente à vontade consigo mesmo na companhia de outra pessoa, para ficar metaforicamente e fisicamente nu na frente dela e se sentir totalmente em casa. É como todos nós deveríamos estar vivendo nossas vidas o tempo todo", completa ele.
Olive, por outro lado, começa a história como uma garota muito inteligente, mas insegura. Para Lili, "ela se revela muito corajosa e uma amiga muito leal". "Ela se coloca em uma situação que genuinamente a deixa muito desconfortável porque ela nem considera o amor romântico na vida dela. Fazer esse esforço enorme por uma amiga é algo realmente lindo e leal de se fazer", explica.
Questionados sobre quais loucuras já fizeram por amigos, Lili e Bateman compartilham histórias inusitadas ao Estadão. A atriz diz que ignorou completamente as mensagens de uma amiga que estava na mesma cidade que ela porque sabia que a amiga seria pedida em casamento e ficou com medo de estragar a surpresa.
A reportagem chegou a perguntar se ela se referia à sua colega de elenco na série Riverdale, Camila Mendes, atriz metade brasileira que recentemente ficou noiva do músico e ator Rudy Mancuso, mas Lili apenas respondeu que "talvez".
Já Bateman diz que fez um bate e volta de 24 horas de Los Angeles para o Reino Unido no meio das filmagens de outra produção apenas para participar da despedida de solteiro de um amigo. "É uma loucura de se fazer, é verdade. Mas pensei que mais louco ainda seria perder isso. Lembro de pensar: 'Durma quando estiver morto'. Eu não queria ser a pessoa que perdeu aquele momento na vida do meu melhor amigo", conta.
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