Morre Robert Duvall, ator de 'O Poderoso Chefão' indicado ao Oscar 7 vezes
Ator morreu aos 95 anos, em sua casa em Middleburg, no estado da Virgínia, nos Estados Unidos
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Robert Duvall, ator conhecido por seus papeis em "O Poderoso Chefão", "Apocalypse Now" e muitos outros papéis ao longo de uma longa carreira no cinema que durou seis décadas, morreu neste domingo, aos 95 anos.
Duvall morreu "pacificamente" em sua casa em Middleburg, no estado da Virgínia, de acordo com um comunicado assinado por sua mulher, Luciana. Não haverá funeral.
Em vez disso, "a família incentiva aqueles que desejam honrar sua memória a fazê-lo de uma maneira que reflita a vida que ele viveu, assistindo a um grande filme, contando uma boa história à mesa com amigos ou fazendo um passeio de carro pelo interior para apreciar a beleza do mundo", afirmou sua mulher.
Uma característica de Duvall era mergulhar profundamente em seus papéis de modo que parecia desaparecer neles —uma habilidade que era "inexplicável, até mesmo assustadora na primeira vez" que foi presenciada, disse Bruce Beresford, australiano que o dirigiu no filme "A Força do Carinho", de 1983.
Nesse filme, Duvall interpretou Mac Sledge, um astro country decadente e alcoólatra que se reconcilia com a vida ao se casar com uma viúva mãe de um filho pequeno. A atuação lhe rendeu um Oscar de melhor ator, seu único Oscar em uma carreira que lhe rendeu outras seis indicações, tanto em papéis principais quanto coadjuvantes.
"Ele é o personagem", disse Beresford sobre Sledge. "Ele não é o Duvall."
Duvall, porém, não se convenceu. "Como assim?", disse ele em uma entrevista ao jornal The New York Times em 1989. "Eu não me transformo no personagem! Continuo sendo eu mesmo —sendo eu mesmo, só que alterado."
O público e os críticos permaneceram céticos. Para eles, Duvall, com uma voz longe de ser aveludada e traços que não chegavam nem perto da beleza de um astro de cinema, se transformava em alguém completamente diferente, repetidas vezes.
Ao longo de sua carreira cinematográfica, que decolou no início da década de 1960, ele se destacou por uma intensa dedicação aos estudos que moldava cada um de seus papéis. Mesmo quando menino, em uma família da Marinha que se mudava constantemente pelos Estados Unidos, ele tinha um ouvido apurado para os padrões de fala das pessoas e um olhar atento para seus maneirismos.
"Eu fico preso às memórias das pessoas", disse ele. As percepções que ele colhia eram guardadas em sua mente para possível uso futuro.
Para se preparar para o papel de Mac Sledge, ele cantou com uma banda country e dirigiu pelo Texas com um amigo, que finalmente teve que perguntar o que eles estavam fazendo. "Estamos procurando por sotaques", disse Duvall.
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