Carla Perez pede desculpas após críticas por cena envolvendo segurança negro no carnaval
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A dançarina Carla Perez se pronunciou nas redes sociais na segunda-feira, 16, após ser acusada de racismo por subir nos ombros de um segurança negro durante o carnaval de Salvador. A cena, registrada no domingo, 15, repercutiu nas redes e gerou críticas de internautas.
O momento aconteceu quando a artista puxou pela última vez o trio do projeto Pipoca Doce, gratuito, no circuito Osmar (Campo Grande).
A apresentação marcou o encerramento da iniciativa, que começou como o bloco Algodão Doce, voltado para foliões pagantes, e ganhou espaço como uma das propostas pioneiras no carnaval ao pensar a folia especialmente para crianças.
No X, um usuário comentou: "Brasil, século XXI? 2026, Sinhá (Carla Perez) e seu serviçal em pleno carnaval de Salvador."
"A imagem que ficou é dura", diz Carla
No pronunciamento, Carla afirmou que a intenção era realizar uma despedida à altura da trajetória do projeto e explicou por que subiu nos ombros do profissional de segurança.
"Eu subi nos ombros do segurança para conseguir ter o contato físico e, portanto, estar mais próxima das minhas crianças, em momentos pontuais do percurso, devido a minha estatura", escreveu ela.
A dançarina também reconheceu o impacto do registro e disse que a cena pode reforçar leituras simbólicas relacionadas ao racismo estrutural. "A imagem que ficou é dura, e eu reconheço isso. Ainda que a intenção tenha sido boa, a cena reproduz simbologias que nos atravessam enquanto sociedade", afirmou.
Carla acrescentou ainda que o episódio remete a desigualdades históricas do Brasil. "Remete a desigualdades históricas que estruturam o nosso País e que jamais podem ser naturalizadas. Nada justifica. Absolutamente nada", declarou.
Pedido de desculpas
Ainda no texto, Carla pediu desculpas de forma direta e afirmou reconhecer o erro. "Peço desculpas, de forma direta e sincera. Reconhecer o erro é o meu primeiro passo. O segundo é agir", disse.
A artista também destacou o papel do Carnaval de Salvador como expressão cultural ligada à população negra. "O Carnaval de Salvador, a maior festa de rua do planeta, é feito majoritariamente por pessoas negras e para pessoas negras. Ele é expressão de resistência, cultura e potência", escreveu.
Em seguida, reforçou: "Tenho consciência da responsabilidade histórica que isso carrega. Errei. Reconheço. E, mais uma vez, peço desculpas."
Compromisso contra o racismo estrutural
Na publicação, Carla ainda afirmou que pretende usar o episódio como aprendizado e reafirmou o compromisso de enfrentar práticas racistas. "Reafirmo meu compromisso inegociável de combater qualquer prática ou simbologia que reforce o racismo estrutural", declarou.
Ao encerrar o pronunciamento, a dançarina reforçou novamente o pedido de desculpas e citou a emoção pela despedida do trio. "Aqui finalizo, ressaltando meu pedido de desculpas e com o coração cheio de amor, ainda muito emocionada com a despedida de ontem. Agradeço a compreensão de todos", concluiu.
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