“Minhas crises de pânico em avião rendem boas histórias”, diz Marcelo Serrado
Em entrevista ao AT2, o ator Marcelo Serrado fala sobre a estreia do espetáculo “Terapia” em Vitória e o poder do humor e da família
Pânico, ansiedade, crises existenciais, crises conjugais. Dá para acreditar que é possível rir de tudo isso? O ator Marcelo Serrado pode provar que sim e, ainda por cima, em uma risada coletiva!
Quer saber como? Assistindo ao espetáculo “Terapia”, que chega pela primeira vez a Vitória no próximo sábado e no domingo.
O monólogo mistura confissão, sátira e improviso – sem apelar para o melodrama – para conduzir o público por uma jornada divertidíssima através da mente de um homem à beira de um ataque de nervos.
Em entrevista ao AT2, Marcelo Serrado explicou que 80% das situações que estão na peça não aconteceram com ele, mas as suas crises de pânico bem que renderam boas histórias.
“As minhas crises que tive de pânico na Disney e no avião. Acho que as minhas crises nas viagens de avião é que mais rendem boas história. Tanto a minha primeira crise como a minha segunda foram relacionadas a avião”, revelou.
O espetáculo é uma espécie de terapia mesmo. Em alguns momentos, o ator convida pessoas da plateia para interagir em cena. “Faço perguntas, como quem já fez terapia e quem nunca fez, quem resolveu dar alta para o próprio terapeuta…”, destacou, rindo
Depois de encarar um personagem tão exposto, Marcelo Serrado acredita que sua melhor “terapia” é estar com a sua família e com as pessoas que realmente querem o seu bem.
“Acho que não tem nada mais importante do que estar perto de quem a gente ama e de quem torce pela nossa felicidade. Essa é a melhor terapia! E, claro, estar no palco. O meu ofício também faz parte desse amor. É algo que me move, que me faz feliz e que tem um lugar muito especial na minha vida”.
Após tantas apresentações – já foram mais de 50 mil espectadores em todo o País desde a estreia, em dezembro do ano passado – o ator contou que até já descobriu alguma coisa sobre ele mesmo graças ao personagem.
“Estamos sempre nessa conexão, nessa troca. Seja eu aprendendo com o meu personagem, seja o meu personagem aprendendo comigo. Acho que, no fim, essa relação vai se transformando”.
Marcelo Serrado, ator: “Dar leveza à vida é a melhor escolha”
AT2 O espetáculo mistura crises, ansiedade, relacionamentos e até episódios de pânico. Em algum momento, você pensou: “Estou me expondo demais”?
Marcelo Serrado A verdade é que 80% das histórias que estão na peça não são coisas que aconteceram comigo. Existe uma persona que foi criada para o espetáculo. Pegamos algumas histórias minhas, outras que nunca aconteceram e, a partir disso, construímos uma dramaturgia. No palco, eu interpreto um cara que tem dislexia, TOC e TDAH, mas eu não sou esse cara por completo.
A peça tem improviso. Já aconteceu alguma coisa no palco que fez você pensar: “Essa eu não tinha planejado”?
Acontecem muitas coisas, porque eu interajo bastante com a plateia. Em alguns momentos, convido alguém do público para participar. Então, sempre existe alguma coisa inusitada que acontece. É preciso estar aberto, atento e ligado ao que está acontecendo, porque cada plateia acaba trazendo uma experiência diferente.
Como lidar com a reação da plateia quando você toca em assuntos tão íntimos e, ao mesmo tempo, consegue fazer todo mundo rir?
O humor conecta. Quando eu faço as pessoas rirem, eu também consigo criar uma conexão com elas. Acho que cheguei a um lugar muito interessante nesse sentido: fazer as pessoas saírem, nem que seja por alguns instantes, das próprias tragédias, das suas mazelas e dos seus problemas, e conseguirem olhar para tudo isso com um pouco mais de leveza.
O humor realmente ajuda a atravessar momentos difíceis?
Sim! O humor é curativo. Você rir dos seus problemas, conseguir rir da própria vida, é uma das melhores coisas. Quando você se coloca em um lugar menos sério e consegue olhar para as situações com mais leveza, tudo fica um pouco mais fácil. Acho que dar leveza à vida é sempre a melhor escolha, em relação a tudo.
“Terapia” fala sobre ansiedade e crises existenciais, mas sem cair no melodrama. Como encontrar esse equilíbrio entre fazer rir e provocar reflexão?
Você precisa ter bom senso e discernimento para entender como se conectar com o público. Não pode ser algo sério demais, mas também não pode cair no lugar do “bobo” ou do superficial. É preciso encontrar esse equilíbrio.
Se a sua vida fosse uma sessão de terapia transformada em espetáculo, qual seria o título?
“Tudo ao mesmo tempo agora. Calma! Vai dar tudo certo.”
Você é do tipo que consegue rir dos próprios perrengues ou precisa de tempo para transformar o problema em piada?
Já é automático! (Risos) Aprendi a deixar as coisas mais leves e a rir das situações, porque, no fim das contas, tudo passa. Então, se a gente conseguir levar a vida com um pouco mais de leveza e bom humor, acho que tudo fica mais fácil.
Se pudesse dar conselho para alguém que está à beira de um ataque de nervos, qual seria?
Calma. Não se entregue, vai dar tudo certo. Seja forte, confie em você e não desista de si mesmo. A vida tem seus momentos difíceis, mas eles passam, siga em frente.
SERVIÇO
“Terapia”
o quê: Comédia em monólogo com Marcelo Serrado.
quando: Sábado (26/09) e domingo (27/09).
Horários: Sábado às 20h e domingo às 17h.
Sessões extra: Sábado às 18h e domingo às 19h.
Onde: Teatro da Ufes, em Goiabeiras.
Clas.: 16 anos.
Ingressos: Plateia A: R$ 150 (inteira) e R$ 75 (meia). Plateia B: R$ 130 (inteira) e R$ 65 (meia). Mezanino: R$ 110 (inteira) e R$ 55 (meia).
Venda online: bileto.sympla.com.br.
Venda presencial: No Teatro Universitário de terça a sexta-feira, das 14h às 19h, e nos dias de espetáculo (sábado e domingo), a partir das 15h.
Produção local: WB Produções.
Informações: (27) 2142-5350 e wbproducoes.com.
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