Victor Lopez venezuelano Com R$ 30 no bolso, venezuelano constrói negócio próprio
Victor Lopez saiu da Venezuela em 2019 e construiu a própria renda no Estado; outras trajetórias também mostram o ES como destino para empreender
Depois de comemorar o primeiro aniversário da filha na Venezuela, Victor Lopez, de 30 anos, tomou a decisão mais difícil da vida: partir sozinho para um país desconhecido em busca de oportunidades.
Em julho de 2019, desembarcou em Vitória carregando apenas uma calça, duas camisas, R$ 30 no bolso e a esperança de construir um futuro melhor para a família.
Hoje, já ao lado da mulher, Johanny Lugo, 30, e da filha Aylen, de 8 anos, o venezuelano celebra a conquista do próprio negócio de petiscos no Espírito Santo.
A Tribuna – Por que decidiu vir para o Brasil?
Vitor Lopez – Decidi sair do meu País por conta da crise econômica, em julho de 2019. Minha filha, na época, estava com um aninho. Eu fiz a festa de aniversário dela, o batismo e depois decidi vir embora na frente, sozinho. Liguei para um amigo venezuelano, que foi criado comigo, e que já estava morando em Vitória há oito meses. Foi ele quem me recebeu aqui.
Já tinha lugar para ficar e emprego quando chegou?
Quando cheguei, morei com outros três rapazes venezuelanos em um apartamento que tinha um quarto e um banheiro para todos. Vim na cara e na coragem, sem um emprego certo. Tinha R$ 30 no bolso, uma calça, duas camisas e um sonho com muita vontade de trabalhar e de dar certo para melhorar as condições de vida da minha família. Queria dar a eles estabilidade.
Graças a Deus, três dias depois que cheguei consegui um emprego fazendo diárias trabalhando na praça de Jardim Camburi.
Sabia falar português?
Não. As pessoas que trabalham na praça me ajudaram muito, me dando oportunidades. Com 10 dias aqui, o pessoal do foodtruck de pastel me arrumou um emprego e fiquei cinco anos ali.
Com seis meses, eles que me ajudaram a conseguir comprar a passagem para minha mulher e para minha filha virem morar no Estado, me ajudaram a comprar uma geladeira, as coisas para a casa, a arrumar uma kitnet para morar. Sempre tiveram muita paciência comigo e nunca me deixaram na mão.
Quando decidiu abrir seu próprio negócio?
Eu sempre tive o sonho de empreender. Surgiu então uma oportunidade de fazer uma parceria com uma pessoa que já tinha um foodtruck de petiscos, o Pocando, na praça em Jardim Camburi mesmo. Fui trabalhando, crescendo, até que virou uma sociedade.
Depois de um tempo, ela decidiu vender a parte dela para mim e hoje eu toco o negócio com minha esposa, e vou pagando a minha antiga sócia aos poucos.
Você se arrepende da escolha de ter saído do País?
Não. Lá não tinha oportunidades. Eu cheguei a trabalhar em uma empresa de minério quando estava lá, mas as condições econômicas estavam difíceis. A empresa foi tomada pelo governo e faliu logo depois que eu saí. Não foi uma decisão fácil vir para o Brasil e deixar minha família. Chorei muito, mas este País é muito bom!
O Espírito Santo é lindo e tem pessoas com o coração muito bom que agradeço a Deus por ter colocado em minha vida. Olhando para trás, só tenho gratidão e a certeza que ainda vamos conseguir realizar o sonho da casa própria um dia.
Qualidade de vida
Do Mato Grosso do Sul para o litoral capixaba
Natural de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Robert Almeida, 30 anos, é atleta e empreendedor no esporte. Ele começou na canoa havaiana em 2014, aos 18 anos, e em 2020 decidiu se mudar para Vitória em busca de melhores condições de treino, já que precisava do mar para evoluir na modalidade.
A escolha pelo Estado também levou em conta a qualidade de vida, a organização da cidade e as condições naturais favoráveis à prática esportiva. A mudança marcou uma virada na carreira: além de atleta, Robert passou a atuar como empreendedor ao iniciar aulas de canoa havaiana no fim de 2020, após um período inicial impactado pela pandemia.
Com o crescimento da atividade, ele estruturou o Mahina Paddle Club, com unidades na Curva da Jurema e em Jardim Camburi, voltado tanto para iniciantes quanto para atletas de alto rendimento e praticantes de lazer. “É um esporte que não tem impacto, então qualquer pessoa pode praticá-lo. No nosso clube, 90% são mulheres”.
Amigos deixam multinacional
Quatro engenheiros deixaram a estabilidade de uma multinacional no Rio de Janeiro para apostar no próprio negócio no Espírito Santo.
Após anos no ambiente corporativo, os amigos Célio Barros, Eduardo Douroucas, Leandro Marcellos e Carlos Ribeiro transformaram a experiência acumulada em gestão e engenharia em um projeto empreendedor.
A primeira virada de chave aconteceu em 4 de novembro de 2022, com a inauguração da primeira unidade do Sushi Rão em Vitória. O desempenho positivo da operação impulsionou a expansão e, exatamente três anos depois, em 4 de novembro de 2025, o grupo inaugurou uma segunda unidade, desta vez em Vila Velha.
Atualmente, Leandro e Carlos dividem a rotina entre o Rio de Janeiro e o Espírito Santo, enquanto Célio e Eduardo se mudaram definitivamente para Vila Velha para acompanhar mais de perto o crescimento do negócio.
“A primeira unidade, em Vitória, é a loja que mais vende da rede no Brasil e em Portugal. Mas acreditamos que, em breve, a unidade de Vila Velha irá superá-la, até pelo tamanho geográfico e populacional do município”, afirma Leandro.
E os planos não param por aí. O grupo já projeta uma nova expansão. “Claro que será no Espírito Santo. Desta vez, na Serra”, adianta o empresário.
Recomeço longe da violência do Rio
Fugindo da violência e da falta de qualidade de vida no Rio de Janeiro, David Camuri, 42 anos, decidiu trocar a capital fluminense pelo Espírito Santo em busca de um futuro mais tranquilo para a família.
Acostumado ao trabalho com carteira assinada e com carreira construída no mercado imobiliário, ele desembarcou em Vitória acreditando que seguiria na mesma área.
Mas o destino tinha outros planos. Eletricista de formação, David ajudou uma vizinha do condomínio onde morava, em Jardim Camburi, Vitória, com um pequeno reparo. Ao ouvir que aquele serviço era escasso e muito procurado na região, enxergou uma oportunidade de negócio.
Assim nascia a SOS Jardim Camburi, conhecida popularmente como serviço de “marido de aluguel”.
O que começou com um simples cartão distribuído em grupos de moradores logo se transformou em um empreendimento consolidado e reconhecido no bairro.
“Para realizar o meu sonho, contei com a parceria do Sebrae-ES, que foi fundamental para abrir os horizontes”, destaca o empreendedor.
Hoje, o carioca atende clientes em toda a região, comemora o sucesso da escolha que fez e não pensa em voltar. “Esse Estado é tão encantador que até o meu filho, que chegou aqui com 3 anos e agora tem 11 anos, fala que é capixaba”.
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