União Europeia-Mercosul: quem ganha e quem perde com o acordo
Alguns setores serão beneficiados com mais exportações e outros sofrerão concorrência maior de produtos que chegarão a menor custo
Siga o Tribuna Online no Google
A percepção geral entre associações representativas de setores da economia e grandes empresas brasileiras é otimista para os efeitos do acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE), que entrou em vigor na sexta-feira.
Apesar disso, há expectativas de que existem segmentos mais propensos a serem beneficiados e outros desafiados com a redução de tarifas de importação dos blocos que se unem comercialmente de forma mais intensa agora.
“Um acordo de comércio não é feito para ser excelente em todos os aspectos. É uma negociação. Tem perdas, como em algumas indústrias no Brasil, e os agricultores europeus estão possessos com o acordo com o Mercosul. Tem de pensar no saldo”, diz Rodrigo Cezar, professor da Escola de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Haverá setores amplamente beneficiados pelo aumento potencial de exportações, como a mineração e a agropecuária, e outros que sofrerão concorrência muito forte de novos produtos que chegarão a menor custo no mercado interno, em especial, na indústria de transformação.
Mas também existem os que se beneficiam em parte com o aumento de acesso ao mercado internacional e com a importação de insumos mais baratos, mas que, por outro lado, também precisarão enfrentar mais rivais europeus no Brasil.
Os alimentos, que estão entre os produtos mais vendidos pelo País à Europa, terão grande vantagem de ampliar mercado internacional, tanto em países para os quais já vendem em grande quantidade quanto em novas nações do Velho Continente.
A vantagem é clara para produtos como café solúvel, suco de laranja, frutas, madeira processada, cacau e outras commodities, que poderão ampliar a presença na UE.
Mas, mesmo nesse segmento, alguns itens estarão expostos à competição com produtos europeus. A chegada a preços menores de queijos, azeites, chocolates e vinhos europeus, de reconhecida qualidade, também colocará pressão em produtores nacionais.
A indústria que já exporta para a Europa espera se beneficiar com a ampliação de negócios, afirma o presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso.
Agroindústria é a maior beneficiada
Uma estimativa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) é que a agroindústria será a maior beneficiada do Brasil com o acordo, com um crescimento extra de 2% no setor em 17 anos.
Segundo o estudo, nenhum setor como um todo deve ser prejudicado: serviços devem crescer 0,41% no período, extração mineral, 0,08%, e indústria de transformação, 0,04%.
Segmentos específicos desses setores, porém, poderão ter perdas. É o caso dos equipamentos elétricos (-1,6%) e de máquinas e equipamentos (-1%).
Na agroindústria brasileira, o segmento de carnes de aves e suínos será o que receberá maior impulso com o acordo. O crescimento previsto é de 9,2%.
A indústria está otimista. “A indústria brasileira tende a ganhar produtividade e a fortalecer cadeias já integradas com a Europa, para se qualificar e diversificar mais a pauta exportadora”, afirma a coordenadora de facilitação de negócios internacionais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Verônica Winter.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários