Supercomputador no Findeslab vai acelerar projetos de IA na indústria do ES
Entidade investiu R$ 8 milhões no sistema com o supercomputador, que vai criar estrutura de inteligência artificial compartilhada
O Findeslab entrará em uma nova fase com a chegada de um supercomputador voltado ao processamento de inteligência artificial (IA). O anúncio foi feito pela Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), que investiu mais de R$ 8 milhões na expansão de seu hub de inovação e passará a oferecer às empresas acesso a uma infraestrutura compartilhada para o desenvolvimento de soluções baseadas em IA.
Segundo o presidente da Findes, Paulo Baraona, o equipamento representa um passo importante para ampliar o acesso das empresas à tecnologia e fortalecer a competitividade da indústria.
“Estamos trazendo o maior equipamento, o equipamento mais potente, o supercomputador, que será de grande valia para o desenvolvimento da IA nas empresas, para pequenas, médias e grandes empresas”, afirmou.
O diretor-geral da Findes, Roberto Campos, explicou que a novidade amplia o papel desempenhado pelo Findeslab. Até agora, o espaço atuava principalmente no desenvolvimento e na aceleração de startups ligadas à indústria. Com a nova estrutura, passará também a oferecer capacidade computacional compartilhada para projetos de inteligência artificial.
“A ideia foi levar o Findeslab a esse novo patamar. O Findeslab, até aqui, trabalhou muito no desenvolvimento de startups que pudessem acelerar o desenvolvimento da indústria e agora ele passa a trabalhar também com uma capacidade compartilhada”, disse.
De acordo com Campos, a estrutura será composta por duas GPUs de alta capacidade, com tecnologia Nvidia, e será a única infraestrutura compartilhada desse tipo disponível no Espírito Santo.
“Teremos essa capacidade computacional compartilhada. É a única infraestrutura compartilhada do Estado do Espírito Santo”, afirmou.
A previsão é que os equipamentos sejam entregues ainda em maio. A operação piloto deve começar em julho, e os serviços serão disponibilizados a partir do quarto trimestre deste ano.
Treinamento das próprias inteligências artificiais
Uma das principais aplicações do novo sistema será a chamada “fábrica de IA”, modelo que permitirá que empresas utilizem a capacidade computacional do Findeslab para desenvolver e treinar soluções próprias de inteligência artificial.
“Permite que as empresas tragam para cá seus desafios, desenvolvam e treinem a sua IA aqui no Findeslab”, explicou Campos.
Segundo ele, a proposta é atender empresas de todos os portes, oferecendo acesso a uma infraestrutura tecnológica que normalmente exige investimentos elevados.
“Pequenas, médias e grandes empresas poderão entrar na era da IA fazendo uso dessa infraestrutura compartilhada que a indústria irá disponibilizar”, destacou.
Monitoramento de operações e prevenção de acidentes
Além do treinamento de modelos de inteligência artificial, a nova estrutura dará suporte a uma segunda frente de atuação, chamada “torre de controle”.
O sistema poderá ser utilizado para monitorar linhas de produção, acompanhar o funcionamento de equipamentos industriais e realizar análises em tempo real utilizando visão computacional.
Entre os exemplos citados pela entidade estão a manutenção preditiva de máquinas, o monitoramento da segurança dos trabalhadores e a emissão automática de alertas para prevenir acidentes.
“Vamos conseguir fazer o monitoramento de uma linha de produção do ponto de vista da manutenção preditiva dos seus equipamentos. Também o acompanhamento dos trabalhadores numa operação industrial do ponto de vista da sua segurança, usando visão computacional para emitir alertas e, com isso, evitar acidentes”, afirmou o diretor-geral.
Segundo Campos, empresas poderão, inclusive, utilizar a estrutura para acompanhar e gerenciar determinadas operações industriais a partir do próprio Findeslab.
Equipamentos custam quase R$ 4 milhões
O investimento total na nova fase do Findeslab supera R$ 8 milhões. Apenas os equipamentos de processamento de inteligência artificial representam quase R$ 4 milhões.
De acordo com o diretor-geral da Findes, a aquisição exigiu planejamento antecipado devido à baixa disponibilidade desses equipamentos no mercado.
“Entramos na fila já tem uns seis meses para conseguir ter esses equipamentos aqui”, relatou.
Para a entidade, a chegada do supercomputador transforma o Findeslab em um novo centro de apoio à transformação digital da indústria capixaba.
“O Findeslab agora entra numa fase de não somente desenvolver tecnologia junto com startups, mas ser parte integrante desse processo de transformação digital da nossa indústria”, concluiu Campos.
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