Mais de 380 mil capixabas faziam apostas online, aponta Fecomércio
Moradores do Estado movimentaram só em junho R$ 397,7 milhões nas bets, com gasto médio de R$ 212 por aposta
Uma pesquisa sobre apostas online realizada pela Federação do Comércio do Espírito Santo (Fecomércio-ES) dá indicativos sobre quanto a atividade movimenta por mês no Estado — com cifras milionárias e impacto direto no orçamento das famílias.
Apenas no mês de junho deste ano, foram R$ 397,7 milhões em apostas inseridos em plataformas digitais, aponta o levantamento do Connect Fecomércio-ES. Mais de 380 mil fizeram apostas no Estado, apontam dados de 2024.
Ao todo, foram feitas 7,34 milhões de apostas. O gasto médio por aposta foi de R$ 212,31, mas o valor pode ser ainda maior para parcela dos apostadores. A estimativa é de que 70 mil tenham apostado mais de R$ 500 em um mês.
Ibatiba foi o município com o maior gasto médio estimado com bets, com R$ 279,00 por aposta.
O coordenador do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, afirma que os dados acendem um sinal de alerta. “Estamos perante algo que vai além de um jogo ou entretenimento, extrapolando para a saúde pública, com atendimentos no SUS”, comenta.
Na última sexta-feira, o governo federal assinou uma medida provisória que proíbe as “bets” e os jogos online — o “tigrinho” — no Brasil. Com a medida, as 188 plataformas até então autorizadas pelo Ministério da Fazenda não poderão oferecer apostas nem fazer qualquer tipo de publicidade no País.
A preocupação, no entanto, permanece. A dificuldade em conseguir impedir o acesso a sites ilegais, estimados hoje em cerca de 17 mil, deve ser um complicados no combate às apostas online.
“O vício em jogo é comparável à dependência química. A discussão passa pelo desenvolvimento de políticas públicas eficientes e adequadas para tratar o jogo como um problema de saúde pública, focado na prevenção e no tratamento da dependência”, afirma.
A situação se torna ainda mais alarmante quando visualizado o perfil dos apostadores. Segundo o levantamento do Connect Fecomércio-ES, aproximadamente 75% dos apostadores capixabas ganham até dois salários-mínimos.
Os eventos esportivos são a provável causa de um pico das apostas entre em outubro de 2025, comenta Spalenza. “Como a reta final do Brasileirão, Sul-Americana e Libertadores. Esses eventos funcionam como porta de entrada para o mercado de apostas”, disse.
Homens com emprego lideram atendimentos no SUS
Homens, assalariados, com idade entre 25 e 34 anos e ensino médio completo, tendo renda de até dois salários-mínimos. Esse é o perfil médio do apostador capixaba viciado em apostas online, segundo o levantamento do Connect Fecomércio-ES, da Federação do Comércio do Estado.
O dado tem como base o histórico de atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS) para tratar o vício em apostas, afirma o coordenador do estudo, André Spalenza.
O especialista destaca que quase a totalidade dessas pessoas está inserida no mercado de trabalho e em contextos familiares. Apenas 3% do público atendido estava em situação de vulnerabilidade social de rua.
Entre os apostadores capixabas, a maior concentração de valor apostado está na faixa de R$ 100 a R$ 500, que reúne cerca de 33% dos apostadores.
Em 2024, os capixabas que realizaram apostas esportivas gastaram, em média, R$ 212,31 por mês. Considerando o rendimento médio mensal de R$ 3.320 no Espírito Santo, esse valor corresponde a aproximadamente 6,1% da renda mensal.
Para Spalenza, isso mostra o nível do problema provocado pelo mercado de apostas. “Diferente de um bar, onde a pessoa precisa se deslocar, o jogo está acessível no celular a qualquer momento. Isso gera efeitos diretos sobre endividamento”, diz.
Devolução do dinheiro até 2ª feira
Proibição
- Governo federal proibiu a exploração e a publicidade de apostas de quota fixa (“bets”) no Brasil. A restrição abrange apostas esportivas e jogos virtuais online (como cassinos e crash games), além de vetar propaganda, patrocínios e o processamento de transações financeiras pelas instituições bancárias;
- Com a medida, as casas de apostas perdem autorizações e devem encerrar atividades sem direito a indenização. Os apostadores ficam impedidos de realizar novos depósitos, mantendo o direito ao resgate de saldos e prêmios;
- Mídias, clubes e redes sociais devem remover anúncios e apps sob pena de multa de até R$ 50 milhões, enquanto bancos devem bloquear pagamentos via Pix para o setor.
Transição
- A proibição de novos depósitos teve efeito imediato na data de publicação da medida, no dia 25 de setembro. As operadoras têm até segunda-feira para tirar sites e apps do ar e 12 dias para enviar aos órgãos oficiais a lista com CPF dos apostadores;
- Apostadores têm até segunda para resgatar o dinheiro. A devolução pelas instituições deve ocorrer em até 7 dias após o recebimento das listas.
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