Águia Branca faz aposta nos veículos elétricos
Completando 80 anos de história com 21 mil funcionários, o grupo vai abrir duas revendas da Denza, marca premium da chinesa BYD
O Grupo Águia Branca chega neste ano às oito décadas de história com 21 mil colaboradores e planos de expansão em áreas ligadas à mobilidade.
Em entrevista ao programa Histórias Empresariais, Bruno Chieppe, diretor de Relações Institucionais do grupo, contou que o conglomerado pretende ampliar sua presença no mercado de veículos eletrificados, com a expansão da rede da BYD para 30 lojas e a abertura de duas unidades da Denza, marca premium da fabricante chinesa. Uma será em Belo Horizonte e a outra em Vitória.
Ele também apontou os juros elevados como um obstáculo para investimentos e renovação de frotas, defendeu o modelo de transporte rodoviário tradicional diante do avanço de plataformas de ônibus por aplicativo e atribuiu a longevidade do grupo à cultura organizacional e à retenção de talentos.
A Tribuna — O Grupo Águia Branca nasceu em Colatina e se tornou um dos maiores da área de logística do Brasil. Gostaria que o senhor falasse sobre os 80 anos de história do grupo.
Bruno Chieppe — A gente comemora essa data no Dia do Motorista, em julho. A Viação Águia Branca, que é a empresa-mãe, onde tudo começou, adotou essa data como referência para celebrar seus aniversários e vem fazendo isso ao longo dos anos. O grupo seguiu a lógica e utiliza a mesma data para comemorar seu aniversário.
Como está estruturado o grupo atualmente?
Hoje, temos três divisões principais. Na divisão Passageiros, estão empresas como a Viação Águia Branca, a Águia Flex e a eSafety, que é uma consultoria de segurança criada a partir da experiência desenvolvida dentro da empresa.
Na divisão Comércio, estão as concessionárias. Trabalhamos com Mercedes-Benz para caminhões, ônibus e vans. Em veículos leves, atuamos com BYD, Toyota, Lexus, Jeep, Dodge, Ram e Mercedes-Benz. Na divisão Logística estão operações dedicadas ao transporte de cargas, movimentação de veículos e serviços de mobilidade.
Também temos investimentos em energia renovável, por meio de uma usina fotovoltaica em Pinheiros, no norte do Espírito Santo, que atende entre 70% e 75% da nossa demanda energética no Estado. Mantemos ainda a Reserva Águia Branca, com mais de 2.200 hectares de Mata Atlântica preservada, e a Natureza Ecoparque, ambos em Vargem Alta.
Alguma programação especial para marcar os 80 anos?
Sim. Estamos realizando uma série de eventos e comemorações, mas a maior parte da programação está voltada para o público interno.
Hoje, temos quase 21 mil colaboradores e entendemos que essa história precisa ser celebrada com quem ajudou a construí-la. Teremos algumas participações externas e alguns eventos específicos, mas o foco principal é o nosso time.
Como está o mercado de trabalho para o grupo?
A marca forte ajuda bastante, mas enfrentamos as mesmas dificuldades que outras empresas enfrentam. Hoje existe uma oferta de mão de obra menor do que a necessidade das empresas. Estamos constantemente em processo de contratação e seleção.
Além disso, o próprio crescimento dos negócios exige a entrada de novos profissionais.
Como o grupo vê o avanço dos veículos híbridos e elétricos?
Não dá mais para dizer que é algo que está chegando. Já é uma realidade. Existem cidades, como Brasília, onde mais de 10% dos veículos vendidos já são eletrificados. E as montadoras tradicionais também caminham nessa direção.
Pode ser por meio de híbridos leves, híbridos plug-in ou modelos totalmente elétricos, mas é um movimento que não tem volta. Foi exatamente por isso que decidimos representar a BYD.
Há planos de expansão nisso?
Sim. Devemos chegar a 30 lojas da BYD e também abrir três unidades da Denza, que é a marca premium da fabricante. Acreditamos que esse mercado continuará crescendo e entendemos que representar a BYD foi uma decisão acertada.
Os fabricantes chineses devem continuar avançando?
Sem dúvida. As marcas tradicionais já perceberam isso e muitas buscaram parcerias ou aproximações com fabricantes chineses.
Os chineses mostraram que conseguem entregar tecnologia, acabamento, qualidade e conforto. Além disso, começaram oferecendo veículos em faixas de preço mais acessíveis, o que ajudou a reduzir a resistência do consumidor. O retorno dos clientes tem sido muito positivo.
Ainda existe receio em relação à revenda dos elétricos?
Cada vez menos. Hoje, já temos híbridos e elétricos circulando normalmente na Águia Branca Seminovos. O mercado está amadurecendo. As pessoas estão entendendo melhor como funciona e ganhando confiança. Aquela preocupação sobre quanto o veículo vai valer no futuro está diminuindo.
Como o grupo vê as plataformas de ônibus por aplicativo?
É uma discussão complexa. Nós entendemos que existem diferenças importantes entre o modelo tradicional e algumas plataformas. Temos obrigações regulatórias.
Quando recebemos uma concessão ou autorização, existe um número mínimo de viagens que precisa ser realizado. Não podemos simplesmente abandonar uma rota porque ela deixou de ser interessante economicamente. É uma responsabilidade que temos com a população.
Muitas vezes você assume tanto os trechos mais rentáveis quanto aqueles menos atrativos. Já algumas plataformas acabam atuando só onde existe maior retorno financeiro. Por isso entendemos que existe uma assimetria regulatória.
O senhor foi escolhido para presidir a Associação dos Empresários de Vitória (Assevix). Qual é a proposta da entidade?
A Assevix ainda está em fase de estruturação. Ela nasceu da vontade de cerca de 30 empresários que decidiram se unir para criar essa associação. O objetivo principal é agregar e fortalecer a conexão entre empresariado e poder público.
Queremos contribuir para o desenvolvimento de Vitória e levar a visão do setor produtivo para as discussões sobre a cidade.
Para encerrar, conte um pouco sobre sua trajetória e de sua vida pessoal.
Estou completando 28 anos de empresa. Passei por diversas áreas do grupo, especialmente na logística, onde permaneci por 19 anos.
No fim de 2022 fui convidado para assumir a Diretoria de Relações Institucionais da holding. Na vida pessoal, tenho uma esposa, a Letícia, que amo muito e duas filhas maravilhosas, Pietra e Paola.
Perfil
Bruno Chieppe
Diretor de Relações Institucionais do Grupo Águia Branca e integra a 3ª geração da família nos negócios.
Está há 28 anos na empresa, onde passou por áreas ligadas à siderurgia, papel e celulose, setor florestal e logística.
Casado com Letícia, é pai de Pietra e Paola
Foi escolhido para presidir a Associação dos Empresários de Vitória, a Assevix
Curiosidades
Convite à natureza
Bruno Chieppe convidou a população a conhecer a Reserva Águia Branca e a Natureza Ecoparque, atrações mantidas pelo grupo em Vargem Alta. A área reúne mais de 2.200 hectares de Mata Atlântica preservada, com trilhas, atividades de contato com a natureza e iniciativas de conservação ambiental.
Maratona em Berlim
Bruno Chieppe revelou que se prepara para disputar sua primeira maratona em setembro, em Berlim, Alemanha. Contou que estabeleceu a prova como meta pessoal para o ano e vem intensificando a preparação. Segundo ele, a corrida se tornou seu principal hobby e funciona como momento de reflexão.
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