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CONVERGÊNCIA

O que vem depois do Pix

É isso que a tecnologia faz quando realmente amadurece: ela não muda apenas um processo

Tasso Lugon | | Atualizado em
Convergência

Tasso Lugon

Tasso Lugon é CEO da Banestes DTVM e especialista em tecnologia, inovação e transformação digital. Reconhecido nacionalmente, lidera projetos que unem setor público e financeiro para gerar impacto e inclusão. Sua trajetória inclui passagens pelo Tribunal de Justiça do ES, Ministério Público Estadual, Prefeitura de Vila Velha e Governo do Estado, sempre promovendo modernização e resultados.

Poucas mudanças tecnológicas entraram tão rapidamente na rotina do brasileiro quanto o Pix. Em poucos anos, deixamos de perguntar se ele iria “pegar” e passamos a usá-lo quase sem pensar. Para dividir uma conta, pagar uma compra, transferir dinheiro ou até quitar despesas recorrentes, ele simplesmente passou a fazer parte da vida.

Mas, para mim, a transformação mais interessante provocada pelo Pix não está apenas na forma como pagamos. Está na maneira como ele mudou aquilo que esperamos de um serviço financeiro.

Há poucos anos, era normal conviver com horários bancários, prazos de compensação e diferentes etapas para uma transferência chegar ao destino. Hoje, depois de nos acostumarmos a movimentar dinheiro em segundos, 24 horas por dia, qualquer processo financeiro demorado parece ainda mais burocrático.

É isso que a tecnologia faz quando realmente amadurece: ela não muda apenas um processo. Ela muda o comportamento das pessoas e, depois, aumenta a expectativa sobre tudo o que está ao redor.

No início, discutíamos se o Pix substituiria TED, DOC, dinheiro ou cartão. Essa discussão perdeu parte do sentido. O Pix deixou de ser apenas uma alternativa de pagamento e passou a funcionar como uma infraestrutura sobre a qual novos serviços estão sendo desenvolvidos.

Vieram o pagamento por aproximação, as cobranças recorrentes e novas possibilidades de integração. E outras evoluções certamente virão.

Para quem trabalha com tecnologia e mercado financeiro, há um ponto especialmente interessante nisso tudo: quanto mais simples a experiência fica para o cliente, mais sofisticada precisa ser a estrutura que existe por trás dela.

Uma transferência que acontece em segundos exige sistemas disponíveis, segurança, prevenção a fraudes, monitoramento e capacidade de processar milhões de operações sem que o usuário sequer perceba essa complexidade.

Talvez uma das maiores qualidades da boa tecnologia seja justamente essa: fazer algo complexo parecer simples.

E é aí que vejo o próximo desafio para bancos, fintechs e instituições financeiras. Se a infraestrutura básica se torna cada vez mais rápida e acessível para todos, o diferencial deixa de estar apenas na transação.

Passa a estar na experiência, na segurança, no uso inteligente dos dados, no atendimento e na capacidade de oferecer soluções que realmente façam sentido para o cliente.

O Pix acelerou o dinheiro. Mas fez algo ainda maior: acelerou a expectativa do consumidor.

E, a partir daí, não existe mais caminho de volta.

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