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O movimento é delas!

Levantamento aponta desejo de se exercitar, mas barreiras emocionais e ambientes pouco acolhedores ainda afastam muitas mulheres

Thayane Banhos | 29/06/2026, 08:13 h | Atualizado em 29/06/2026, 08:13
Tribuna Livre

Leitores do Jornal A Tribuna


          Imagem ilustrativa da imagem O movimento é delas!
Thayane Banhos é profissional de educação física especialista em saúde, morfologia e fisiologia feminina |  Foto: Divulgação

As mulheres querem se exercitar mais. E isso já não é apenas uma percepção de quem trabalha diariamente com saúde feminina: os dados confirmam. Segundo levantamento da Toluna, 71% das mulheres brasileiras desejam aumentar a prática de atividade física neste ano. E quando se coloca o corpo em movimento, é natural que isso influencie também na busca por uma alimentação mais saudável, além de práticas para o equilíbrio mental e bem-estar.

Mas existe uma pergunta que precisa ser feita: se tantas mulheres querem se movimentar, por que tantas ainda não conseguem?

A resposta não é simples. Ela passa pela sobrecarga mental, rotina exaustiva, maternidade, culpa de priorizar a si mesma e, muitas vezes, pelo desconforto que certos ambientes ainda provocam. Quantas mulheres já desistiram de iniciar uma atividade física por vergonha? Quantas se sentem deslocadas, observadas ou desacolhidas em espaços que deveriam incentivar saúde, mas acabam gerando insegurança e competição?

Durante anos, criou-se uma ideia de que atividade física deveria ser sinônimo de sacrifício, pressão estética ou comparação. E, para muitas mulheres, a academia se tornou um lugar onde era preciso acompanhar ritmos, disputar equipamentos ou se encaixar em padrões silenciosos. Quando isso acontece, o exercício deixa de ser cuidado e passa a ser mais uma obrigação.

Quando uma mulher encontra um espaço onde se sente segura, acolhida e compreendida, algo muda. E não falamos de conforto no sentido superficial da palavra. Falamos de um ambiente onde ela não precisa se sentir julgada pelo corpo, pela idade, pela roupa, pelo ritmo ou pela fase da vida em que está. Um espaço onde o cansaço hormonal é respeitado, onde mães podem treinar sabendo que seus filhos estão seguros e onde não haja constrangimento por estar começando.

Espaços voltados exclusivamente para mulheres têm um papel importante nesse cenário não por segregação, mas por acolhimento e pertencimento. Eles ajudam a reduzir barreiras emocionais que, muitas vezes, são tão ou mais difíceis do que as físicas. A mulher que antes dizia “não tenho coragem” ou “não me sinto à vontade” começa, enfim, a se permitir.

Sim, o fator estético ainda é forte, e não há problema em querer emagrecer, definir o corpo ou gostar da própria imagem. Isso compõe a autoestima. O problema é quando ela é o único motivo. Hoje, mulheres querem mais disposição, menos ansiedade, melhor qualidade do sono, equilíbrio hormonal e saúde mental.

Não é por acaso que a atividade física aparece cada vez mais conectada ao bem-estar emocional entre as prioridades dos brasileiros. A busca por saúde mental e equilíbrio ganhou protagonismo nas metas de 2026, ao lado dos exercícios físicos.

Talvez a grande mudança esteja justamente aí: as mulheres ainda querem transformar seus corpos, mas agora também querem transformar como vivem dentro deles. E isso começa quando elas encontram lugares (e profissionais) que as façam ter completa consciência de seus potenciais e escolhas.

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