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TRIBUNA LIVRE

Existe outra forma de tratar o autismo

Mais que conter crises, abordagem aposta no vínculo e na escuta para desenvolver crianças com autismo e apoiar suas famílias

Paula Mello Pacheco | 30/04/2026, 12:46 h | Atualizado em 30/04/2026, 12:46
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          Imagem ilustrativa da imagem Existe outra forma de tratar o autismo
Paula Mello Pacheco é fonoaudióloga, mestre em Psicologia, doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP |  Foto: Divulgação

Quando uma criança com autismo tem aquela popular “crise”, a primeira pergunta que muitos fazem é: como interromper esse comportamento? É uma pergunta compreensível. Mas, sinceramente, não resolve o problema nem impede que as crises voltem.

Comportamento é comunicação. Há algo acontecendo para que a criança se comporte de determinada forma; e não adianta modificar o comportamento sem compreender o motivo.

O modelo mais difundido no Brasil para o manejo do autismo é a Análise do Comportamento Aplicada, o ABA. Ele tem resultados, mas muitos pacientes não se adaptam e, diferente do que parece, não é a única opção.

A abordagem DIR/Floortime propõe ir além: desenvolver as habilidades funcionais e emocionais que vão sustentar essa criança ao longo da vida, pelo vínculo, pelo brincar e pela participação ativa da família. O foco não está na correção do comportamento, está na própria criança, nesse mundo só dela, que a gente raramente consegue entrar.

No DIR/Floortime, terapeuta, criança e família literalmente sentam no chão e brincam juntos — sempre seguindo os interesses e a iniciativa do paciente. Uma das estratégias centrais do modelo é esperar a iniciativa da criança, observar e acompanhar sua liderança. Em vez de perguntar "que cor é esse carro?", o terapeuta vira um personagem e entra no carro.

A criança não precisa se encaixar no nosso mundo. É a gente que aprende a entrar no dela. E a mudança vai acontecendo de dentro para fora. Muitas vezes, junto com uma criança autista, vem uma família adoecida, triste, estressada. Ignorar isso e olhar só para a criança é tratar metade do problema. No DIR/Floortime, a família é protagonista, e os resultados aparecem nela também.

Foi com base nessa abordagem que fundei a Integrare Desenvolvimento, em Vila Velha, no Espírito Santo. Durante o doutorado, na Faculdade de Medicina da USP, acompanhei 28 crianças com TEA em terapia apenas no modelo DIR/Floortime.

Os resultados comprovaram o que eu e muitas mães já sentíamos na prática. Após dois anos e meio, as crianças apresentaram avanços consistentes em comunicação, engajamento, autorregulação e desenvolvimento socioemocional. Três capacidades atingiram pontuação máxima antes do encerramento do estudo. Na parte pessoal e social, o índice final foi quase 10 vezes maior que o inicial.

Na avaliação dos pais, a avaliação foi ainda melhor: os filhos alcançaram nível máximo em todas as seis competências. Com o DIR Floortime, as crianças passaram a comunicar o que querem, a brincar de faz de conta e a compreender sentimentos abstratos: habilidades que, para muitas famílias, pareciam impossíveis.

O Brasil tem 1,1 milhão de crianças com TEA e no mês que mais se fala sobre o tema, a maioria das famílias sequer sabe que existem outras abordagens além das que o sistema oferece. Isso precisa mudar, e a ciência já mostrou o caminho.

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