Crédito imobiliário entra em um novo ciclo no Brasil
Queda da Selic pode melhorar as condições de crédito, mas aumento da procura por imóveis também pode pressionar os preços
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A carteira de crédito imobiliário da Caixa ultrapassou a marca de R$ 1 trilhão. O número ajuda a dimensionar a importância que o financiamento de imóveis assumiu no Brasil, tanto para quem sonha com a casa própria quanto para toda a cadeia que depende do setor para funcionar.
Quando um imóvel é financiado, o dinheiro não fica restrito à relação entre comprador e vendedor. Ele movimenta construtoras, incorporadoras, corretores, fornecedores, trabalhadores, comércio e serviços. Também contribui para que novos empreendimentos saiam do papel e para o desenvolvimento de bairros e regiões.
Por isso, o comportamento do crédito imobiliário interessa à economia como um todo. E estamos diante de um momento que merece atenção: a Selic acaba de cair novamente, para 13,75% ao ano, no quinto corte consecutivo. Uma dúvida aparece com frequência: se os juros estão caindo, vale a pena esperar mais um pouco para comprar um imóvel?
A resposta não é tão simples. Selic e financiamento imobiliário estão relacionados, mas não caminham necessariamente no mesmo ritmo. As instituições financeiras utilizam diferentes fontes para conceder crédito de longo prazo, como poupança, FGTS e outros mecanismos de captação, cada um com seus próprios custos.
Uma queda da Selic não significa que as taxas imobiliárias vão cair imediatamente ou na mesma proporção. Ao mesmo tempo, se o ciclo de redução dos juros continuar, existe espaço para que as condições de financiamento melhorem gradualmente.
É justamente aí que entra uma questão importante para quem está pensando em comprar. O financiamento pode ficar mais barato no futuro, mas o imóvel também pode ficar mais caro. Quando as taxas diminuem, a prestação tende a cair e a capacidade de financiamento aumenta. Com mais pessoas aptas a comprar, a procura cresce. E um mercado com maior demanda pode reduzir o espaço para descontos e pressionar os preços.
Imagine um imóvel que tenha dois interessados. Com condições de crédito melhores, o mesmo apartamento pode passar a ser disputado por cinco pessoas. Para o vendedor, o cenário muda. A necessidade de conceder desconto diminui e a possibilidade de sustentar um preço maior aumenta. Esperar a queda adicional dos juros não garante, por si só, um negócio melhor. Se hoje existe um imóvel adequado, o preço foi bem negociado e a prestação cabe com segurança no orçamento, pode haver sentido em aproveitar a oportunidade.
Existe ainda uma diferença entre comprar o imóvel e contratar o financiamento. O preço negociado fica definido na compra. Já as condições do crédito podem mudar ao longo dos anos. Para quem pretende comprar, acompanhar a Selic continua sendo importante. Mas a decisão não deveria depender apenas dela. É preciso olhar o imóvel, o preço negociado e, principalmente, a capacidade de assumir a prestação sem comprometer o orçamento. Se essas contas fecharem, esperar apenas por juros menores pode significar conquistar uma taxa melhor no futuro, mas pagar mais pelo imóvel.
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Tribuna Livre,por Leitores do Jornal A Tribuna