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OPINIÃO ECONÔMICA

6x1: popular no discurso, perigoso na prática

Reduzir a jornada sem regras claras pode gerar mais custos, menos poder de compra e sobrecarga, longe da prometida melhoria de qualidade de vida

FERNANDO OTÁVIO CAMPOS SILVA | 10/02/2026, 12:54 h | Atualizado em 10/02/2026, 12:54
Opinião Econômica

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          Imagem ilustrativa da imagem 6x1: popular no discurso, perigoso na prática
FERNANDO OTÁVIO CAMPOS SILVA é empresário, secretário de turismo de Guarapari e presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Estado (ABIH-ES) |  Foto: Divulgação

Estão vendendo a redução da jornada de trabalho como “melhoria automática da qualidade de vida”, quando o texto não entrega as condições mínimas para isso acontecer. Pior: o debate público está sendo conduzido como peça de marketing, sem transparência sobre custo, inflação, emprego formal e impacto nos setores que funcionam 24 horas por dia, sete dias na semana. É popular no discurso e perigoso na prática.

A primeira omissão, fora do debate, é óbvia: nada impede o trabalhador de ter dois empregos. Isso já é comum e tende a aumentar com mais tempo disponível e com a falta de mão de obra.

Resultado provável: menos descanso real, mais pressão e mais fadiga. Ou seja, a promessa de “mais saúde” pode virar exatamente o contrário: mais sobrecarga e maior risco de adoecimento. Folga no papel não é saúde no mundo real.

A segunda omissão é econômica. Reduzir horas sem reduzir salário eleva o valor do salário-hora e pressiona custos.

Em serviços, isso tende a virar preços maiores: diárias, alimentação, transporte, manutenção. Se os preços sobem, o trabalhador pode perder poder de compra. “Folgar mais” e comprar menos. Isso não é ganho social; é troca arriscada travestida de virtude.

Na hotelaria, o risco é ainda mais concreto: operação 24 horas, 7 dias por semana. Qualquer mudança sem exceções técnicas e sem transição vira desorganização de escala, aumento de custo e queda de competitividade do turismo. E isso acontece num setor já estrangulado pela falta de mão de obra.

E sobre a afirmativa de que a proposta melhora a saúde do trabalhador, há de se questionar: onde estão os incentivos e as contrapartidas?

Não há sinal de redução de encargos como INSS, apesar da narrativa de que haveria menos adoecimento e menos custo para o sistema público.

Não há alívio regulatório que reconheça essa suposta melhora, e a conta de “cuidar da saúde” segue sendo empurrada para dentro das empresas, que já carregam obrigações crescentes de gestão de riscos e de temas psicossociais.

Empresários não são contra melhorar condições de trabalho. Somos contra vender ilusão sem números. Se querem um benefício mútuo, apresentem estudos públicos de impacto, regras setoriais para atividades 24/7, transição viável, plano de produtividade e qualificação, e medidas reais de desoneração.

Sem isso, o projeto não é social, mas uma aposta com alto risco de desastre econômico.

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