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NUTRIDICAS

Refrigerante zero engorda ou emagrece?

Tudo o que você precisa saber para uma alimentação saudável no dia a dia

Gabriela Rebello | | Atualizado em
Nutridicas, por Gabriela Rebello

Gabriela Rebello

Gabriela Rebello é nutricionista, especialista em saúde feminina, estética, nutrição esportiva e comportamento alimentar. Colunista de A Tribuna, professora e coordenadora do curso de Nutrição em instituição de ensino superior, integra o quadro de nutricionistas do Hospital Albert Einstein na Grande Vitória, unindo ciência, prática clínica e cuidado humano.


          Imagem ilustrativa da imagem Refrigerante zero engorda ou emagrece?
Gabriela Rebello é nutricionista. |  Foto: Divulgação

Você trocou o refrigerante comum pelo zero para emagrecer, mas ficou com aquela dúvida: “Será que estou fazendo uma boa troca ou o adoçante vai me fazer engordar do mesmo jeito?” De um lado, dizem que refrigerante zero faz mal e aumenta a vontade de comer doce. Do outro, que pode tomar à vontade porque “não tem açúcar”. Afinal, quem está certo? A resposta está no meio do caminho.

Refrigerante zero não emagrece. Mas também não podemos dizer que ele, sozinho, faça você engordar. Para entender melhor, existe uma pergunta muito mais importante: o que você deixou de consumir quando escolheu a versão zero?

Imagine alguém que toma dois copos de refrigerante comum todos os dias. Ao trocar pela versão sem açúcar, deixa de consumir o açúcar e boa parte das calorias daquela bebida. Se todo o restante da alimentação continuar igual, essa troca pode ser interessante para quem está tentando reduzir o consumo de açúcar e controlar o peso.

E aqui está uma informação que muda bastante essa conversa: o possível benefício do refrigerante zero não está exatamente no que ele oferece, mas no que ele retira. Ele não ganhou nutrientes especiais. Simplesmente deixou de entregar o açúcar presente na versão tradicional.

É justamente por isso que dizer que “refrigerante zero emagrece” seria errado. Se alguém troca o refrigerante comum pelo zero, mas passa a pensar “já economizei calorias, então posso pedir sobremesa”, a vantagem pode desaparecer facilmente.

E os adoçantes? Eles aumentam a fome, dão vontade de comer doce ou bagunçam o metabolismo?

É justamente aqui que a conversa fica mais interessante. Alguns tipos vêm sendo estudados por possíveis efeitos sobre as bactérias que vivem no intestino, a barreira intestinal e substâncias envolvidas na inflamação. Quando esse equilíbrio intestinal é alterado, pode haver maior passagem de substâncias que normalmente deveriam permanecer dentro do intestino, favorecendo sinais inflamatórios e desencadeando diferentes respostas do metabolismo. Mas isso não acontece da mesma forma com todos os adoçantes, nem significa que qualquer consumo provoque esses efeitos.

Esse é um detalhe importante: não dá para colocar todos os adoçantes no mesmo pacote. Sucralose, aspartame, sacarina, acessulfame de potássio e outros têm características diferentes, e seus possíveis efeitos também podem variar conforme o tipo, a quantidade consumida, a frequência e até características individuais de cada pessoa. Por isso, dizer simplesmente que “adoçante inflama o intestino” ou que “adoçante é totalmente inofensivo” seria reduzir demais uma discussão que ainda está sendo investigada.

Mas atenção: ser uma opção melhor em determinada situação não significa ser uma bebida saudável. Refrigerante zero continua sendo refrigerante. Não hidrata melhor que a água e não oferece fibras, vitaminas ou outros nutrientes importantes para o organismo.

Então precisa proibir? Também não.

Se você gosta de refrigerante, trocar o tradicional pelo zero pode ser uma estratégia para diminuir açúcar e calorias, especialmente durante um processo de mudança de hábitos. Só não transforme o “zero” do rótulo em passe livre para consumir o dia inteiro.

Na rotina, deixe a água ocupar o lugar de protagonista. O refrigerante zero pode aparecer eventualmente, sem culpa e sem receber poderes que ele não tem.

Por isso, quando alguém perguntar se refrigerante zero engorda ou emagrece, talvez a melhor resposta seja outra pergunta: ele entrou no lugar de quê?

Porque, no emagrecimento, não é um alimento isolado que decide o resultado. É aquilo que você repete todos os dias.

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Gabriela Rebello é nutricionista, especialista em saúde feminina, estética, nutrição esportiva e comportamento alimentar. Colunista de A Tribuna, professora e coordenadora do curso de Nutrição em instituição de ensino superior, integra o quadro de nutricionistas do Hospital Albert Einstein na Grande Vitória, unindo ciência, prática clínica e cuidado humano.

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Saúde não é moda, é construção diária. Nesta coluna semanal, você vai entender como alimentação, comportamento, emoções e estilo de vida impactam seu corpo e sua mente. Reflexões práticas, ciência aplicada e estratégias reais para viver com mais equilíbrio, energia e consciência.