Promessa de renda atrai estrangeiros para a Guerra da Ucrânia
Brasileiros teriam recebido ofertas de cerca de R$ 25 mil por mês para lutar na Ucrânia
Siga o Tribuna Online no Google
Estrangeiros, incluindo brasileiros, têm buscado atuar na guerra da Ucrânia motivados principalmente por fatores econômicos, segundo especialistas em direito internacional. Jovens, em geral sem experiência militar, veem no conflito a possibilidade de renda rápida.
De acordo com o advogado e professor de Direito Internacional da FDV Marcelo Obregon, muitos desses combatentes são atraídos por promessas de pagamento e acreditam que podem permanecer pouco tempo no país. “Acham que vão lá, ficar um tempo, ganhar dinheiro e resolver a vida econômica”, afirma.
Ao destacar que não pode julgar o caso específico dos capixabas mortos em combate na guerra da Ucrânia, o especialista afirma que estrangeiros são, em muitos casos, enquadrados como mercenários, ou seja, pessoas que participam do conflito mediante remuneração.
O coordenador do curso de Relações Internacionais da UVV Daniel Carvalho acrescenta que, além do fator financeiro, há outros perfis: pessoas motivadas por razões ideológicas, políticas ou até pela busca de experiência.
“A guerra lá na Rússia e na Ucrânia hoje está extremamente letal, não por combate direto entre pessoas, mas porque virou uma guerra altamente tecnológica, com uso de drones. Então, a probabilidade de essa pessoa ir, independentemente das suas motivações, e não voltar com vida, é altíssima”.
Em nota divulgada em julho do ano passado, o Itamaraty alertou que brasileiros aliciados para forças estrangeiras podem responder criminalmente. Com base no artigo 7º do Código Penal, a legislação brasileira pode ser aplicada a crimes cometidos no exterior, como crimes de guerra ou violações previstas em tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário.
“Geralmente eles estão lá por meio de um contrato assinado com o exército ucraniano, portanto, desde que não cometam esses crimes, não serão processados”, disse Marcelo Obregon.
Segundo o especialista, a repatriação depende da família e envolve processos consulares, sanitários e documentais, além de custos elevados.
O transporte exige documentação traduzida, autorização das autoridades locais e preparo do corpo conforme normas internacionais. O apoio do governo brasileiro ocorre apenas em situações excepcionais previstas em decreto.
Entenda a guerra da Ucrânia
Conflitos
O conflito tem origem em 2014, com a anexação da Crimeia pela Rússia e movimentos separatistas no leste da Ucrânia.
Guerra
Em 2022, após impasses nos acordos, a Rússia invadiu a Ucrânia.
a Expectativa inicial era de guerra rápida, com possível vitória russa em poucas semanas.
Porém, o conflito se tornou prolongado e de desgaste, já com cerca de quatro anos de duração.
Estratégia
A falta de objetivos claros da Rússia dificultou uma estratégia definida no campo militar.
A Ucrânia, por sua vez, recebe apoio militar e logístico de países ocidentais e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Objetivos
O objetivo da Ucrânia é resistir e expulsar as forças russas.
Já o objetivo político da Rússia permanece indefinido ou ainda em debate.
Letal
A guerra apresenta frentes relativamente estáveis, sem avanços decisivos.
O conflito é altamente letal e sem previsão de término.
Estrangeiros
Alguns vão para o combate na Ucrânia para obter altos ganhos financeiros. Há também quem seja movido por razões ideológicas.
Outras pessoas são movidas por razões políticas ou até pela busca de experiência em combate, na condição de mercenários.
Ganhos
Brasileiros teriam recebido ofertas de cerca de R$ 25 mil por mês para lutar na Ucrânia.
Especialistas observam que esse valor pode não refletir a realidade, já que não se sabe quanto recebem os soldados ucranianos, nem o poder de compra local.
Outro fator são as promessas falsas para atrair jovens.
Fonte: Especialistas consultados.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários