Especialistas dão dicas de como gastar menos com o ar-condicionado
Aparelho pode ser responsável por até 40% da conta de energia no verão. Especialistas dão dicas de como usar sem pesar no bolso
Amado por muitos e odiado por tantos outros, o verão é a estação do calor e divide opiniões. Indiscutivelmente, nesta época do ano, a demanda pelo ar-condicionado aumenta e o aparelho acaba se tornando o vilão da conta de luz. Ele pode representar até 40% do consumo residencial, a depender do modelo, da potência e do tempo de uso. Porém, segundo especialistas, o custo pode ser reduzido com algumas escolhas simples.
Segundo o professor do Departamento de Física da Ufes, Ernani Rodrigues, é possível economizar tanto na tecnologia, com os diferentes aparelhos de ar-condicionado, quanto na forma de uso, que pode maximizar ou minimizar o consumo de energia elétrica.
“As diferentes tecnologias do aparelho impactam diretamente no consumo de energia elétrica. Os mais recentes utilizam uma tecnologia conhecida como inverter”.
Esses modelos não ligam o compressor o tempo inteiro. “Ele passa a funcionar de forma dinâmica: às vezes mais forte, às vezes mais fraco, dosando o funcionamento até atingir a temperatura desejada no ambiente. Isso reduz significativamente o consumo de energia elétrica”.
Dhonatan Anholetti, técnico em climatização, conta que outro vilão é a falta de manutenção no equipamento. Ele explica que o ar-condicionado possui sensores que detectam a temperatura do ambiente e a sujeira atrapalha essa leitura.
“A sujeira dificulta a troca de calor. Com isso, o aparelho precisa funcionar por mais tempo para tentar atingir a temperatura desejada, o que aumenta o consumo. Quando o equipamento está limpo, a troca de calor acontece com muito mais facilidade. O ambiente atinge a temperatura desejada mais rapidamente e o inverter reduz a velocidade do compressor para o mínimo necessário”.
Consultor de climatização e dono da Ventari, empresa de assistência técnica em ar-condicionado, Rharian Spanhol diz ainda que o local em que o aparelho está sendo utilizado também influencia no consumo final.
“Temos que avaliar o ambiente. Muitas vezes as pessoas compram um ar-condicionado sem consultar um profissional e acabam escolhendo uma capacidade que não atende ao ambiente. O aparelho, não tendo capacidade suficiente para suprir o ambiente, acaba ficando mais tempo funcionando em potência máxima, o que gera excesso de consumo”.
Manutenção em dia
Economia
A aposentada Tânia Mara De Crignis Provete, de 64 anos, usa o ar-condicionado em casa todas as noites e conta que percebeu a economia quando começou a fazer ajustes básicos para evitar que a conta de energia ficasse alta.
Ela faz o básico: fecha as portas do ambiente para impedir que o ar escape e mantém a manutenção em dia. “Além disso, mantenho a temperatura nos 23ºC, que é uma temperatura agradável e força menos o equipamento. Consequentemente, gasta menos”, afirma ela, que segue à risca as orientações do consultor de climatização Rharian Spanhol.
Tire suas dúvidas
Aparelhos com tecnologia inverter consomem menos?
Aparelhos de ar-condicionado com tecnologia inverter consomem menos energia porque não funcionam no sistema de liga e desliga.
O compressor ajusta a velocidade de acordo com a necessidade do ambiente, mantendo a temperatura estável e evitando picos de consumo.
A economia varia de 15% a 25% em comparação aos modelos convencionais.
Falta de manutenção eleva o consumo de energia?
A ausência de manutenção é um dos principais motivos de aumento do consumo de energia.
Um ar-condicionado sujo pode gastar até 30% a mais, já que a sujeira dificulta a troca de calor e obriga o aparelho a funcionar por mais tempo.
É possível limpar o aparelho de ar-condicionado em casa?
O próprio usuário pode contribuir para a economia. A cada 20 ou 30 dias, é recomendado retirar o filtro do ar-condicionado e lavá-lo em água corrente.
Esse cuidado melhora a circulação do ar e o rendimento do equipamento, reduzindo o consumo.
Qual período ideal para fazer manutenção completa?
A manutenção não deve se limitar à parte interna do aparelho. A unidade externa, responsável pela troca de calor, também acumula sujeira.
Quando não é limpa, o rendimento cai e o consumo de energia aumenta.
O ideal é realizar uma manutenção técnica completa a cada seis ou oito meses.
Dimensionamento correto evita desperdício?
Um ar-condicionado com potência inferior à necessária para o tamanho do ambiente funciona de forma contínua e consome mais energia.
O dimensionamento correto, feito por um profissional, garante que o aparelho atinja a temperatura desejada sem esforço excessivo.
Usar o aparelho de porta aberta prejudica o resfriamento?
Usar o ar-condicionado com portas ou janelas abertas faz o aparelho tentar resfriar mais de um ambiente ao mesmo tempo. Isso impede que a temperatura seja alcançada e aumenta significativamente o consumo de energia.
Cortinas e películas facilitam o funcionamento do aparelho?
Ambientes com muitas janelas ou incidência direta do sol aquecem mais rápido. Cortinas, persianas e películas reduzem a entrada de calor e diminuem a necessidade de funcionamento intenso do ar-condicionado.
Temperatura muito baixa aumenta o consumo?
Quanto menor a temperatura programada, maior o consumo de energia. Faixas entre 22°C e 25°C oferecem conforto térmico com menor impacto na conta de luz. Ajustes extremos, como 16 °C, fazem o aparelho trabalhar mais e aumentam o gasto mensal.
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